"“Quem joga melhor, eu não sei. Mas espero que a Seleção Brasileira brilhe", disse o craque
O treino termina na Granja Comary e Neymar fica
com Oscar, Fred e Marcelo treinando cobranças de pênalti. Depois, usa a
barreira fixa para treinar cobranças de falta. A cena é de ontem, mas
costuma se repetir em todas - que não são tantas assim - atividades com
bola da Seleção Brasileira.
O craque
gosta de treinar, quer ficar melhor. “Eu tenho um dom de jogar futebol,
mas aprimorando isso no treino, tudo vai melhor na partida. Meu pai
sempre me falou que treino é jogo, e jogo é guerra. Eu trato todo o
treino como um jogo e todo jogo como uma guerra”, diz o camisa 10 do
Brasil.
Escalado
para a entrevista que durou apenas 30 minutos porque o Brasil deixaria
Teresópolis no começo da tarde rumo a Fortaleza, Neymar mostrou-se
bem-humorado como sempre e admitiu os problemas da Seleção nas oitavas
de final. “Não foi um excelente jogo contra o Chile, a marcação foi
muito forte. Não só eu estive bem marcado. Estamos treinando e
conversando para encontrar soluções, criar espaços e opções”.
Neymar
é só elogios ao adversário de amanhã. “A Colômbia é uma grande equipe,
tem se mostrado muito forte e ganhou todos os seus jogos até aqui. James
Rodriguez é um excelente jogador, um craque, apesar da pouca idade, de
ter 22 anos como eu. Mas espero que o ciclo dele no Mundial acabe agora.
Com todo o respeito, é claro”, diz, abrindo um sorriso.
Ele
evitou as comparações com o camisa 10 da Colômbia. “Quem joga melhor,
eu não sei. Mas espero que a Seleção Brasileira brilhe. O que nós todos
queremos é ganhar. Não quero ser artilheiro, não quero apostar nada. Só
quero que o Brasil ganhe de 1x0... se for meio a zero já está
maravilhoso”, prega.
Como Fernandinho,
Victor e Ramires antes dele, Neymar também espanta o bode expiatório
escolhido por Felipão e sua comissão técnica para justificar as más
atuações e descarta problemas emocionais no time. “Está todo mundo bem.
Não tem problema emocional algum. Foi um jogo tenso, emocionante. Houve
muita emoção mesmo e cada um tem um jeito de mostrar a sua”, disse o
craque, que chorou copiosamente após a vitória nos pênaltis.
Mesmo
assim, ele valoriza o trabalho da psicóloga Regina Brandão, que
participou da preparação da Seleção antes do Mundial e foi chamada agora
por Felipão. “Nunca havia feito e estou gostando bastante. Não somos só
nós, do futebol, envolvidos com emoção diariamente que devemos fazer.
Aconselho vocês a fazerem porque faz bem e te deixa mais leve, mais
tranquilo”, diz, sorridente.
O
conselho para os jornalistas pode ter sido motivado pelas repetidas
perguntas sobre suas condições. Desde o fim de jogo contra o Chile,
quando o técnico disse que Neymar havia jogado com muita dor, o médico
José Luís Runco vem explicando que o camisa 10 sofreu só pancadas
normais e que não seria problema para enfrentar a Colômbia.
Ontem,
Neymar correu, chutou e foi quem mais tempo ficou treinando. E ainda
teve tempo para brincar com pequenos torcedores das vizinhanças da
Granja Comary. Mas foi obrigado a repetir respostas sobre problemas
físicos. “Eu já falei que estou bem. Se falei que estou bem, é porque
não estou sentindo dor. Podem ficar tranquilos”, garante, tentando
acalmar os repórteres mais insistentes.