Reportagem da
Agência Brasil (Brasília) repercutida pelo "Brasil 247" dá a exata
dimensão sobre os problemas que transformam Buerarema numa praça de
guerra prestes a explodir, mas não dá conta da falta de iniciativa da
Força Nacional de Segurança, que está na cidade e não foi capaz de
impedir novos conflitos e ações de vandalismo. Fotomontagem: Brasil 247.
Brasília –
Menos de uma semana após a chegada de policiais da Força Nacional a
Buerarema, os moradores voltaram a viver momentos de grande tensão
durante o fim de semana. Casas foram incendiadas e ao menos uma loja e
uma agência dos Correios foram depredadas. Neste momento, dezenas de
produtores rurais estão acampados na cidade devido à ocupação de suas
propriedades, nas últimas semanas, por índios tupinambás.
No sábado (24),
policiais militares chegaram a usar bombas de gás lacrimogêneo e de
efeito moral para conter os ânimos. Segundo o escrivão da delegacia de
Buerarema, Clériston Espínola de Azevedo, os distúrbios começaram depois
que produtores rurais, segundo alegaram, foram provocados por índios
armados que circularam de automóvel no centro da cidade.
“A cidade virou
uma praça de guerra e se o governo federal não intervir para resolver a
situação, a tendência é a coisa piorar”, disse o escrivão à equipe de
reportagem da Agência Brasil.
Segundo ele, em
torno de 60 fazendas foram ocupadas desde o começo do mês e,
atualmente, o escrivão calcula que o número de pequenos produtores
acampados em uma praça, no centro do município, já alcança 50. “O clima
continua tenso. Toda hora chega um produtor dizendo ser ameaçado por
índios na iminência de entrar em suas terras”.
De acordo com o
delegado federal Samuel Rodrigues Martins, ao menos mais uma fazenda da
região foi ocupada no último final de semana. Os policiais federais
foram acionados, mas, quando chegaram ao local, a ocupação já havia sido
consumada.
“A área
reivindicada pelos índios abrange parte de Buerarema, de Una e de
Ilhéus. É uma área muito grande e como nosso efetivo é pequeno, não
conseguimos monitorar tudo, a fim de nos anteciparmos às ocupações.
Temos feito o possível para manter o controle, mas a sensação é de
estarmos tentando apagar fogo”, comentou o delegado federal.
“Vamos lá para
tentar mediar os conflitos enquanto não se chega a uma decisão
definitiva. O clima é de tensão constante, com ambos os lados dizendo
ter direitos. Tudo tem que ser feito com muito cuidado, para evitarmos a
violência”.
A pedido do
governador da Bahia, Jaques Wagner, integrantes da Força Nacional
chegaram à cidade no último dia 18 e o efetivo local da Polícia Militar
foi reforçado. A tropa deve permanecer em Buerarema até pelo menos 27 de
agosto, com o objetivo de garantir a segurança local e prevenir o
agravamento dos conflitos entre índios e produtores rurais. O prazo, no
entanto, pode ser prorrogado. A Força Nacional já atuou no município
entre abril de 2012 e maio de 2013.
Os índios
reivindicam que o processo de criação de uma reserva indígena de 47 mil
hectares seja concluído. Um hectare corresponde a 10 mil metros
quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial. A ocupação das
fazendas já vinham ocorrendo desde o início do ano, mas se
intensificaram a partir do início do mês, provocando reação não só dos
donos das fazendas ocupadas, mas de outros segmentos que se sentem
afetados pela ação indígena.
Há duas
semanas, produtores rurais protestaram pela desocupação das propriedades
invadidas. Ao bloquearem a BR-101 por cerca de dez horas, a
manifestação fugiu ao controle. Equipamentos públicos e ao menos uma
agência bancária foram depredados. Veículos oficiais foram incendiados –
entre eles um carro que transportava quatro índios, sendo duas
crianças, de Itabuna para Pau Brasil.
A Fundação
Nacional do Índio (Funai) foi procurada pela Agência Brasil para
explicar a posição do governo federal sobre as exigências dos índios
tupinambás no sul da Bahia, mas ainda não deu retorno aos pedidos de
informação.