Edson Kayapó vindo do Amapá ensina no Ifba
Uma denúncia de tortura e ameaça veio à tona na tarde de quinta-feira (05), nas redes sociais, detalhando os "bastidores" do protesto protagonizado por produtores rurais na BR-101, próximo a São José da Vitória. A vítima seria o professor e coordenador em Licenciatura Intercultural Indígena, Edson Kayapó, de Macapá, no Amapá. Ele estava no carro que foi incendiado pelos manifestantes. O veículo em questão pertencia ao Ifba (Instituto Federal da Bahia).
Em sua página pessoal do facebook, Kayapó, que é indígena, relatou os momentos de terror que disse ter vivido na manhã de ontem (05). Segundo ele, quatro pessoas armadas (a mando de manifestantes) interceptaram o carro, ocupado, ainda, pelo antropólogo João Veridiano e a professora Julia Rosa, que ministra a disciplina História Indígena.
O grupo tinha saído de Olivença, onde participou de atividades relativas à Educação e seguia para Pau Brasil, mais precisamente na aldeia Caramuru (Pataxó Hã Hã Hãe). "Os capangas pararam o carro e disseram: 'tem um índio no carro' e, em seguida, fomos violentamente expulsos do carro e o veículo foi levado por eles", disse o professor. "Fui jogado no meio da BR", acrescentou.
Parado em Buerarema
Orientando pelos colegas, Kayapó tomou um táxi e viria para Itabuna, onde pensaria no que fazer. Porém, passando por Buerarema, teria sido novamente "parado" por populares. "Fui espancado e ameaçado de morte. Os colegas de trabalho estão na delegacia da cidade e eunem sei onde estou. Escondido? De que mesmo? Não cometi nenhum crime", escreveu em sua página no facebook.
Um dos relatos que mais chamaram a atenção foi este: "Queria que fosse só um pesadelo, mas foi bem assim: Você é índio, né? - Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia. Mas você é índio, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da Amazônia. O que você tá fazendo aqui? - Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena. Você é amigo deles. Você está preparado pra morrer? _ (silêncio) (barulho do gatilho da arma...Não disparou) Vá embora, nem olhe para trás."
O fato causou uma revolta generalizada, expressa nas redes sociais nesta sexta-feira (06), por amigos e colegas do professor espancado. A última postagem de Kayapó retrata muito bem o que está vivendo. "Quero me encontrar, mas não sei onde estou.
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo. Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita. Tenho quase certeza que eu não sou daqui (...)" - Renato Russo.
Fonte:diariobahia




