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3 de setembro de 2013

Notícias: Dono do grupo BBom embolsa R$ 11 milhões com negócio

Dinheiro foi distribuído em contas pessoais de João Francisco

 

Divulgadores da BBom em foto postada em rede social por equipe brasileira

 O dono do grupo BBom, João Francisco de Paulo, embolsou R$ 11 milhões com o negócio suspeito de ser pirâmide financeira disfarçada de venda de aparelhos rastreadores, segundo o Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP).

O dinheiro estava distribuído em contas pessoais do empresário. Além disso, em dois meses, o sócio-proprietário da companhia usou R$ 4 milhões do montante para investir em fundos de previdência privada.

Quatro carros de luxo em nome do executivo também foram retidos pela Polícia Federal, por determinação da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo. Os modelos dos automóveis de Francisco não foram divulgados, mas entre os 49 carros da empresa apreendidos pela Justiça estão 18 Mercedes-Benz, quatro Lamborghinis, três Ferraris, uma Maserati e um Rolls Royce Ghost.

Para o MPF, a movimentação financeira da BBom, que em menos de seis meses atraiu cerca de 300 mil associados, é “expressiva”. Foram pelo menos R$ 300 milhões movimentados. As suspeitas que pairam contra a empresa levou a Justiça Federal a bloquear suas atividades em julho. Contra a BBom também há suspeitas de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

O negócio é descrito por seus responsáveis como uma rede de marketing multinível que tem como foco a venda de rastreadores veiculares. Para os promotores, porém, trata-se de crime de pirâmide financeira por depender de taxas de adesão pagas pelos associados para se manter, e não da venda das assinaturas de rastreamento.

Na ação civil pública que apresentou à Justiça, o MPF de Goiás sustenta que a BBom vendeu 1 milhão de rastreadores, mas adquiriu junto a fornecedores menos de 90 mil aparelhos. O principal fornecedor da empresa, de acordo com a ação, afirma ter repassado apenas 69.114 rastreadores à BBom.

Bilhão bloqueado

A partir da ação, a Justiça Federal em Goiás, na área cível, bloqueou as atividades da empresa até que o mérito da ação seja julgado. A Justiça em Goiás havia determinado o bloqueio de R$ 300 milhões das contas da empresa. A Justiça em São Paulo, na área criminal, por sua vez, ampliou o congelamento para R$ 479 milhões de cada um dos três sócios da BBom, um total de R$ 1,4 bilhão. O propósito do bloqueio é garantir o ressarcimento das cerca de 300 mil pessoas que aplicaram dinheiro no sistema BBom.

Na empresa, os associados recebem o título de revendores e são remunerados quando conseguem convencer outras pessoas a ingressarem no negócio. Os associados pagam taxas de adesão que variam de R$ 600 a R$ 3 mil. Os pagamentos são feitos conforme a formação das redes.

Outras acusações

João Francisco de Paulo esteve envolvido em outras polêmicas. Ele já foi acusado de estelionato e de tentar formar um sistema de compensação no segmento de crédito na Unepex Cred Correspondente Bancário, de São Paulo. A empresa diz que seus representantes são experientes e que não praticam irregularidades.

Companhia seria “nova Telexfree”

Nas investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal, foram descobertas transações financeiras entre a BBom e a Telexfree, empresa que diz vender serviço de telefonia via internet, considerada a maior pirâmide da história do país. Com mais de 1 milhão de associados, ela também foi inviabilizada por determinação da Justiça.

No entendimento do MPF, as transações detectadas entre as duas companhias evidenciam que o esquema BBom seria o “sucessor” do esquema Telexfree. Das mais de 50 empresas suspeitas de configurarem pirâmide financeira no país, com vem sendo noticiado em A GAZETA, as duas firmas são que registraram o crescimento mais expressivo e estão sob investigação em vários estados brasileiros.

 O outro lado

Empresa não comenta acusação

Acusado de receber em contas pessoais R$ 11 milhões e de investir parte deles na previdência privada, o dono da BBom, João Francisco de Paulo, não atendeu aos telefonemas da reportagem para comentar o fato e o e-mail enviado para a assessoria de comunicação da empresa não foi respondido. Em ocasiões anteriores, a empresa negou irregularidades e disse atuar no ramo do marketing multinível, sem ser pirâmide financeira. A Telexfree também foi procurada para explicar a transferência de recursos apontada pelo MPF. O advogado Wilson Furtado Roberto, por e-mail, informou somente que “a Telexfree não possui relação com a BBom”.

Fonte:gazetaonline

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"