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22 de junho de 2013

Esportes

Balotelli, camisa 9 da Itália, tem empresa na Mata Escura e faz passeio na orla

O jogador fez questão de ficar hospedado na periferia nas duas outras vezes em que veio a Salvador, em 2007 e 2008




Rua 10 de Dezembro, Ponto 13, Mata Escura. Quem bater lá vai encontrar uma simples casa de dois cômodos, apenas uma cama e, portanto, bem longe do conforto encontrado nos grandes hotéis que recebem os jogadores de ponta do futebol mundial.

Já imaginou um grande astro hospedado lá? Pois bem, isso aconteceu duas vezes com o atacante Mario Balotelli, que fez questão de ficar na periferia soteropolitana nas duas vezes anteriores que esteve por aqui, em 2007 e 2008.

Lá mora Márcio de Jesus, amigo e sócio do irreverente camisa 9 italiano. Isso mesmo: Balotelli, que dormiu no chão da casa do broder e comeu muita feijoada baiana, tem uma empresa de capacitação de adultos na comunidade desde o ano passado.

              
               O sol não apareceu, mas Balotelli, ao centro, posou para foto com torcedores 

A meta da Pandora do Brasil é formar equipes para montar placas de energia solar, trabalho realizado em três etapas: curso de captação solar, eletricista e artesão. As vendas das placas, que começam em agosto, vão ajudar a bancar o projeto, que recusa doações.

Assim como o Projeto Novo Rumo, funcionando em  sistema de parceria desde 2005 com a Associação de Guias, Escoteiros e Católicos Italianos (Agesci), situada na cidade de Brescia, Itália, coordenado por Giovanni Balotelli, irmão mais velho do atacante.

A Pandora do Brasil ensina ferramentas para instituições carentes sobreviverem sem donativos. Mesmo assim, Balotelli fez uma gracinha. “Na primeira vez, ele bancou o teto da quadra  de esportes. Já na segunda vez, deu 13 computadores para o nosso centro tecnológico”, conta Márcio, que já visitou Balotelli na Itália cinco vezes. O atacante de 22 anos não gosta de comentar publicamente sobre suas boas ações fora dos campos.

Ontem pela manhã foi a vez de Márcio acompanhar Balotelli, único da Azzurra a deixar o hotel Matiz, numa caminhada de três quilômetros do Costa Azul até o Jardim de Alah.
A relação começou através do irmão Giovanni Balotelli em 2000, que após conhecer o projeto da Mata Escura, na época já coordenado por Márcio, teve a ideia de trazer o irmão para vivenciar a periferia soteropolitana.

“Ele já fazia doações para a África (Balotelli é filhos de ganeses).  Ele veio pela primeira vez e passou o Natal junto com a gente. É uma pessoa que não tem duas conversas.  Dormiu no chão numa boa,  andou aqui de sandália, falou com todo mundo da comunidade”, elogia Márcio. “Não tem negócio de historinha com ele. Se ele não tivesse com a Seleção, tava largado aqui”, afirma. Foram cinco dias na primeira visita e 12 na segunda, onde Balo até acampou em Ilhéus.

E após conviver tanto com o craque, ele explica por que Balotelli não tem uma relação lá muito amistosa com a imprensa. “Ficam colocando as coisas que ele faz como se tudo  fosse absurdo.  Ele não aceita que  fiquem em cima dele”.

E Balotelli, autor de dois gols nas Confederações, confidenciou a felicidade de enfrentar o Brasil, hoje, às 16h, na Fonte Nova. “Ele comemorou jogar aqui. E dessa vez vai levar a camisa do Vitória, rubro-negro como o Milan”, diverte-se Márcio. Esse Balo é o cara.

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"