A tributação
das cervejas, isotônicos, refrescos e energéticos, entre outros produtos
– foi elevada nesta terça-feira (1º). Em portaria publicada no "Diário
Oficial da União", a Secretaria da Receita Federal atualizou o redutor
que define a tributação do IPI, PIS e COFINS sobre estes produtos.
(Correção: ao
ser publicada, esta reportagem informou que a Receita havia reajustado a
tabela de bebidas frias. Na realidade, foi atualizado o redutor que
define a tributação sobre alguns produtos. Após a publicação a Receita
também esclareceu que o reajuste não engloba refrigerantes e águas).
O aumento da
tributação, segundo o Ministério da Fazenda, implicará uma elevação
média de 0,4% no custo dos produtos. Segundo o governo, a alta dos
tributos deverá engordar os cofres públicos em mais R$ 200 milhões neste
ano. O Ministério da Fazenda informou ainda que está previsto um novo
reajuste do redutor que é aplicado sobre as bebidas em outubro deste
ano.
Desta vez, além
das cervejas, isotônicos, refrescos e energéticos, o aumento também
incluirá os refrigerantes. Dyogo Oliveira, secretário-executivo-adjunto
do Ministério da Fazenda, não informou qual o percentual de reajuste
estimado para outubro deste ano.
NECESSIDADE DO RECURSO:
O aumento da
tributação já era esperado: o governo já havia anunciado, na semana
passada, que poderia haver reajuste desses itens. Nesta terça-feira, o
Ministério da Fazenda declarou, porém, que essa medida já estava no
último relatório do orçamento federal e que não tem relação com a conta
de luz.
Mesmo não
admitindo a ligação da atualização do redutor sobre as bebidas frias com
a energia elétrica, o governo busca reunir recursos para evitar a alta
na conta de luz em 2014.
Isso
porque está havendo um maior uso da energia das termelétricas – cuja
produção é mais cara – o que poderia resultar em aumento das tarifas.
Para bancar
esse custo, haverá um novo aporte do Tesouro, no valor de R$ 4 bilhões,
na Conta de Desenvolvimento Energético, que vai bancar parte da conta
extra, e será permitido que as distribuidoras emprestem R$ 8 bilhões no
mercado. São esses R$ 4 bilhões do governo que os aumentos de tributos
pretendem compensar.
REAJUSTE DA TABELA:
Dyogo de
Oliveira, do Ministério da Fazenda, não descartou a possibilidade de o
governo reajustar também a tabela dos preços das bebidas frias, embora
tenha dito que isso ainda não está previsto. Se implementado, esse
reajuste da tabela poderia em resultar novas elevações no preço da
cerveja e demais bebidas frias. "Quanto à questão da tabela, é uma
matéria prevista na legislação que haja atualizações regulares. Mas não
há nenhuma definição a respeito disso. No momento, não temos nenhuma
definição se haverá reajuste da tabela", declarou Oliveira a
jornalistas.
Repasses
O governo
lembra que o mercado de bebidas é livre. Desse modo, eventuais repasses
da alta da tributação para o consumidor dependerão de uma decisão das
empresas. Em anos anteriores, quando houve reajuste da tributação de
bebidas frias, os produtores decidiram repassar a alta para os preços
dos produtos finais.
Se houver esse
repasse, a nova tributação das bebidas pode acabar tendo influência na
inflação. Na última semana, o mercado financeiro projetou um Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,30% para 2014 – valor
bem próximo ao teto de 6,5% do sistema de metas de inflação. Há quatro
anos seguidos, a inflação no país oscila ao redor de 6%.
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