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12 de agosto de 2014

OMS autoriza tratamento experimental contra o vírus ebola

Segundo dados da organização, a doença já registra 1.013 óbitos até agora em Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou nesta terça-feira, 12, o uso de tratamento não homologado em alguns pacientes infectados pelo vírus ebola na África. A decisão foi tomada na manhã desta terça-feira, 12, quando foi anunciado também que a doença já superou a barreira de mil pessoas mortas. 

Para tanto o governo americano acertou com o governo da Libéria o envio de doses do soro que serão administradas em dois médicos liberianos infectados pelo vírus e voluntários para o uso de Zmapp. A decisão foi tomada pelos 12 membros do Conselho de Ética Médica da OMS, que abriram uma exceção o tratamento experimental diante da extensão da epidemia de ebola na África Ocidental. 

Segundo dados da organização, a doença já registra 1.013 óbitos até agora em Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria, dentre um total de 1.848 contaminados. Diante de tamanha mortalidade, os experts da OMS - originários de 10 países - aceitaram acelerar o processo de aprovação dos testes, embora ainda haja dúvidas sobre a eficiência do tratamento, até aqui restrito apenas aos EUA. Para tanto, porém, algumas condições precisarão ser preenchidas.

Padre católico Miguel Pajares, que contraiu o vírus Ebola, sendo transportado da base aérea de Madri para o hospital Carlos III. Foto: Ministério da Defesa da Espanha/AFP INAKI GOMEZ
Padre católico Miguel Pajares contraiu o vírus Ebola, foi tratado e morreu(Foto: Ministério da Defesa da Espanha/AFP)

“Uma transparência absoluta quanto aos cuidados, um consentimento informado, liberdade de escolha, confidencialidade, respeito à pessoa, preservação da dignidade e implicação das comunidades” foram os critérios apresentados pela OMS em comunicado publicado após a reunião. Além disso, as equipes que utilizarem o medicamento terão de “coletar e compartilhar os dados sobre a segurança e a eficiência” do soro. 

A organização também prometeu divulgar até o final de agosto uma lista de recomendações sobre o uso da droga. Por ora, crianças, mulheres grávidas e médicos e enfermeiros devem ser poupados do tratamento, em razão dos efeitos colaterais desconhecidos no organismo. 

Três tipos de anticorpos, antiretrovirais e duas vacinas produzidos pela companhia americana Mapp Biopharmaceutical estão autorizados, sintetizados em um medicamento o ZMapp. Essa droga foi autorizado nesta terça pela OMS. Outro tratamento, o TKM-ebola, de fabricação canadense e autorizado para testes nos Estados Unidos, ainda não foi liberado. 

“Estes tratamentos, que em sua maioria só foram testados em macacos, mostraram uma boa eficiência”, explicou Marie-Paule Kieny, diretora-adjunta da OMS, referindo-se ao ZMapp. “Isso gera grandes esperanças para o homem”, completou. 

Dois pacientes tratados nos Estados Unidos com o medicamento resistem até aqui, mas o padre espanhol Miguel Pajares, internado em Madri desde a semana passada, morreu nesta terça em decorrência da infecção que contraíra na Libéria, mesmo tendo recebido doses do soro. Até pelos resultados alcançados até aqui, Marie-Paule Kieny pediu prudência nas expectativas. “O ebola não pode, até aqui, ser tratado. Os únicos métodos credíveis são o isolamento dos doentes, a quarentena de seus próximos, e a limitação dos deslocamentos a zonas de risco”, explicou.

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"