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29 de setembro de 2014

Funcionário é feito refém em hotel de Brasília, e polícia posiciona atiradores

Sequestrador faz exigências de caráter político e quer que elas sejam cumpridas até as 18h. Polícia diz que tem 98% de certeza do colete ser explosivo


Homem mantém refém em sacada de hotel de Brasília - Evaristo Sá / AFP


BRASÍLIA — Um funcionário do hotel Saint Peter, em Brasília, foi feito refém por volta das 9h da manhã desta segunda-feira. A polícia isolou o local, cerca de 300 pessoas deixaram o prédio e a área foi isolada. Desde a manhã de hoje, o sequestrador aparece com a vítima algemada e com um colete no 13º andar do prédio, localizado no Setor Hoteleiro Sul. Três negociadores estão em contato com o sequestrador, e atiradores de elite estão espalhados em prédios em volta do local. O sinal de TV e do telefone do quarto foram cortados. O contato, que era realizado por telefone, agora é feito por viva voz, já que eles estão próximos ao apartamento. 

O sequestrador teria aproximadante 30 anos, seria do Tocantins, trabalhava em uma campanha política, e estaria com uma pistola. Ele faz exigências de caráter político, como a aplicação da Lei da Ficha Limpa nestas eleições, a extradição do italiano Cesare Battisti e a reforma política. De acordo com a Polícia Civil, ele deu o prazo até as 18h para que as exigências sejam cumpridas. Caso contrário, ameaça acionar o colete explosivo que foi colocado na vítima. Porém, a todo momento, ele sinaliza que pode fazer isso antes.

— A gente tem quase certeza que são explosivos: 98% — disse o diretor de comunicação da Polícia Civil, delegado Paulo Henrique de Almeida.

A polícia acredita que os explosivos têm grande poder de destruição e aumentou o perímetro de afastamento da imprensa e pedestres de 60 para 100 metros. De manhã, estava em 30 metros. Uma agência dos Correios em frente ao hotel também já foi evacuada. O trânsito nos arredores do local também foi interrompido.

— O que a gente percebe é que ele (o sequestrador) está ficando irredutível. Ele nem está mais negociando. (As negociações) estão um pouco emperradas — afirmou o delegado.

O diretor de comunicação disse também que o sequestrador deixou claro que tanto ele quanto o refém vão morrer. O delegado diz que o refém está fisicamente bem, apesar de abalado psicologicamente.

A negociação está sendo feita pela Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil. Em Palmas, onde ele morava, a Polícia Civil encontrou três cartas, do dia 26 de setembro, deixadas pelo homem: uma na própria residência, outra na casa da mãe e uma terceira na casa do tio. Em todas elas há mensagens de despedida que, segundo o delegado, sinalizam que ele vai cometer suicídio. Ainda de acordo com a polícia, nas cartas, o sequestrador fala que está desesperado e pede desculpa para a mãe e para os tios, diz que depois da tempestade vem a bonança e que quer mudar o panorama político do país.

Segundo o diretor, o sequestrador chegou nesta segunda-feira em Brasília, de carro, e deu entrada no hotel como hóspede, por volta das 5h30m. A informação é de que ele começou a criar tumulto no hotel, a ponto de uma camareira ter alertado a gerência. Por causa disso, o chefe dos mensageiros foi verificar o que estava acontecendo e foi feito refém, por volta das 9h. Depois, ele passou a entrar também em outros apartamentos. Segundo relato de hóspedes, ao ser perguntado se era um assalto, o sequestrador disse que era “ um ato terrorista”. O veículo em que ele estava já foi apreendido.

Por volta das 13h, o sequestrador apareceu na sacada com o refém algemado, com a pistola na mão e jogou um pedaço de papel. Cerca de 100 policiais civis estão no local, além de a agentes da Polícia Federal, Abin e representantes do ministério da Justiça. 

O hotel tem 120 funcionários, mas nem todos estavam no local. São 482 apartamentos. De acordo com informações do G1, um publicitário de Ribeirão Preto (SP), que está no DF a trabalho, conta que foi abordado pelo homem às 8h40m.

— Ele bateu na porta do meu quarto e mandou juntar todas as coisas e descer. Estava armado e com o mensageiro já algemado, cheio de bombas no corpo — disse.
Nas imagens do refém junto ao sequestrador, é possível ver que o colete tem uma fileira de objetos claros e cilíndricos nas laterais.(oGlobo)

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"