Sequestrador faz exigências de caráter político e quer que elas sejam cumpridas até as 18h. Polícia diz que tem 98% de certeza do colete ser explosivo
Homem mantém refém em sacada de hotel de Brasília - Evaristo Sá / AFP
BRASÍLIA
— Um funcionário do hotel Saint Peter, em Brasília, foi feito refém por volta
das 9h da manhã desta segunda-feira. A polícia isolou o local, cerca de 300
pessoas deixaram o prédio e a área foi isolada. Desde a manhã de hoje, o
sequestrador aparece com a vítima algemada e com um colete no 13º andar do
prédio, localizado no Setor Hoteleiro Sul. Três negociadores estão em contato
com o sequestrador, e atiradores de elite estão espalhados em prédios em volta
do local. O sinal de TV e do telefone do quarto foram cortados. O contato, que
era realizado por telefone, agora é feito por viva voz, já que eles estão
próximos ao apartamento.
O
sequestrador teria aproximadante 30 anos, seria do Tocantins, trabalhava em uma
campanha política, e estaria com uma pistola. Ele faz exigências de caráter
político, como a aplicação da Lei da Ficha Limpa nestas eleições, a extradição
do italiano Cesare Battisti e a reforma política. De acordo com a Polícia
Civil, ele deu o prazo até as 18h para que as exigências sejam cumpridas. Caso
contrário, ameaça acionar o colete explosivo que foi colocado na vítima. Porém,
a todo momento, ele sinaliza que pode fazer isso antes.
— A gente
tem quase certeza que são explosivos: 98% — disse o diretor de comunicação da
Polícia Civil, delegado Paulo Henrique de Almeida.
A polícia
acredita que os explosivos têm grande poder de destruição e aumentou o
perímetro de afastamento da imprensa e pedestres de 60 para 100 metros. De
manhã, estava em 30 metros. Uma agência dos Correios em frente ao hotel também
já foi evacuada. O trânsito nos arredores do local também foi interrompido.
— O que a
gente percebe é que ele (o sequestrador) está ficando irredutível. Ele nem está
mais negociando. (As negociações) estão um pouco emperradas — afirmou o
delegado.
O diretor
de comunicação disse também que o sequestrador deixou claro que tanto ele
quanto o refém vão morrer. O delegado diz que o refém está fisicamente bem,
apesar de abalado psicologicamente.
A
negociação está sendo feita pela Divisão de Operações Especiais da Polícia
Civil. Em Palmas, onde ele morava, a Polícia Civil encontrou três cartas, do
dia 26 de setembro, deixadas pelo homem: uma na própria residência, outra na
casa da mãe e uma terceira na casa do tio. Em todas elas há mensagens de
despedida que, segundo o delegado, sinalizam que ele vai cometer suicídio.
Ainda de acordo com a polícia, nas cartas, o sequestrador fala que está
desesperado e pede desculpa para a mãe e para os tios, diz que depois da
tempestade vem a bonança e que quer mudar o panorama político do país.
Segundo o
diretor, o sequestrador chegou nesta segunda-feira em Brasília, de carro, e deu
entrada no hotel como hóspede, por volta das 5h30m. A informação é de que ele
começou a criar tumulto no hotel, a ponto de uma camareira ter alertado a
gerência. Por causa disso, o chefe dos mensageiros foi verificar o que estava
acontecendo e foi feito refém, por volta das 9h. Depois, ele passou a entrar
também em outros apartamentos. Segundo relato de hóspedes, ao ser perguntado se
era um assalto, o sequestrador disse que era “ um ato terrorista”. O veículo em
que ele estava já foi apreendido.
Por volta
das 13h, o sequestrador apareceu na sacada com o refém algemado, com a pistola
na mão e jogou um pedaço de papel. Cerca de 100 policiais civis estão no local,
além de a agentes da Polícia Federal, Abin e representantes do ministério da
Justiça.
— Ele bateu na porta do meu quarto e mandou juntar todas as coisas e descer. Estava armado e com o mensageiro já algemado, cheio de bombas no corpo — disse.
Nas imagens do refém junto ao sequestrador, é possível ver que o colete tem uma fileira de objetos claros e cilíndricos nas laterais.(oGlobo)

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