Estudante Nívea de Souza | Foto: Angelino de Jesus/OAB-BA
"Vocês
podem citar o nome dos 12 mortos no Cabula? Vocês sabem os nomes dos
cinco PMs mortos?". "Foram cinco mortes em um ano. Foram 12 mortes em um
só dia". Com estas palavras, a estudante Nívea de Souza, do Bacharelado
Interdisciplinar em Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), foi
responsável por um dos momentos mais emblemáticos da
audiência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), que
discutiu, nesta quinta-feira (26), as 12 mortes que ocorreram no último
dia 6 de fevereiro, na Estrada das Barreiras, bairro do Cabula, em
Salvador. Em conversa com o Bahia Notícias, a dona do
acalorado discurso que provocou alvoroço na audiência falou que negar a
existência de uma guerra entre polícia, subúrbio e periferia, em
Salvador, “é uma idiotice”. Ao comentar a participação de Geraldo Reis,
secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do estado na
audiência, a estudante criticou a forma como ele trata do ocorrido no
Cabula. “O secretário fala de forma muito fria sobre os acontecimentos.
Ele fala em incidente. Ele chama de acidente. Ele chama de situações de
operações. Se você vai perguntar a um pai e uma mãe de um dos
adolescentes assassinados, eles não vão chamar de acidente, vão chamar
de homicídio. Tiraram uma parte deles”, afirmou. “Não sou a favor de
morte. Se você tem uma lei, tem que ser cumprida. Cidadão não tá acima
de ninguém. Policiais não são melhores nem maiores que ninguém. Pelo
contrário, o salário deles é pago pelas pessoas que eles estão matando.
Vamos pensar nisso. Não é dizer que a pessoa que cometeu um crime não
tem que pagar. No entanto, não é condenar uma pessoa à morte. É dar uma
segunda chance a ela”, ressaltou. Nívea ainda disse que acha que a culpa
da violência que mata centenas de negros anualmente não é da Polícia
Militar, mas de uma conjuntura. "É como uma pirâmide. A PM está na base e
recebe ordens para cumprir. A responsabilidade não está com a PM. Está
na forma como as leis são passadas e como eles as interpretam”, explica.
“Se você educa uma sociedade pra ascender, se você educa a PM para
defender os cidadãos, que é contratada para fazer isso, você não vai
poder dizer que a culpa é disso ou daquilo. A culpa é de todo um
sistema. Vira um círculo vicioso, infelizmente”, expôs. A estudante
ainda se diz a favor da desmilitarização da PM. “Tenho medo da PM.
Foram doze mortos no Cabula. Isso dói. Eu acho que, acima de tudo,
precisa haver um rearranjo do pensamento do que é polícia. Polícia é
para defender, não para matar”, afirmou.(Bahia/Notícias)
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