Operação descobriu educadores que recebem R$15 mil em regime de dedicação exclusiva acumulam cargos em prefeituras e até mesmo em farmácias e igrejas
Depois da operação Multivínculo,
que flagrou 1.447 servidores com acúmulo de funções - entre eles um
médico com nove cargos -, o governo voltou a detectar 164 professores
que deveriam cumprir regime de dedicação exclusiva nas universidades
estaduais. Segundo a Secretaria da Administração (Saeb), os
profissionais estão acumulando ilegalmente outras atividades remuneradas
e terão de devolver juntos R$ 11,5 milhões.
Batizada como Dedicação Exclusiva, a operação
descobriu que os educadores acumulam as atividades docentes com
trabalhos remunerados em empresas privadas em diversas áreas e também em
empregos públicos.
Operação
descobriu educadores que recebem R$15 mil em regime de dedicação
exclusiva acumulam cargos em prefeituras e até mesmo em farmácias e
igrejas (Foto: EBC)
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Muitos
atuam na área educacional, mas também existem diversos casos de
professores trabalhando em estabelecimentos comerciais como farmácia, em
bancos, em cooperativas, planos de saúde, empresas de eventos e até em
uma igreja. A investigação detectou, ainda, docentes em empregos de
prefeituras e no serviço público federal.
Segundo o Governo, um docente com cargo de professor
pleno, com regime de dedicação exclusiva e carga de 40 horas semanais,
recebe um salário de R$ 15.111,26. Já para um educador nível pleno, com
as mesmas 40 horas, sem dedicação exclusiva, a remuneração é de R$
10.074,18. Um docente nível pleno, sem regime de dedicação exclusiva e
carga horária de 20 horas, recebe R$ 5.037,09.
A legislação veda o acúmulo de atividades
remuneradas para professores com dedicação exclusiva e os servidores
flagrados na operação terão de devolver ao Estado os valores pagos. O
prejuízo aos cofres públicos está estimado em R$ 11,5 milhões. Eles
foram flagrados depois que a Saeb cruzou dados de informações do Sistema
Integrado de Recursos Humanos (SIRH) da Bahia, com outros bancos de
dados.
Investigação
A Saeb assinou um contrato com o INSS para cruzar as informações dos 2.762 docentes em regime de dedicação exclusiva do estado. Também foram confrontadas informações do SIRH com o sistema Siga, pertencente ao Tribunal de Contas dos Municípios, que reúne todos os empregados das prefeituras do estado.
A Saeb assinou um contrato com o INSS para cruzar as informações dos 2.762 docentes em regime de dedicação exclusiva do estado. Também foram confrontadas informações do SIRH com o sistema Siga, pertencente ao Tribunal de Contas dos Municípios, que reúne todos os empregados das prefeituras do estado.
Foram identificados professores titulares, plenos,
assistentes, auxiliares e adjuntos que recebem adicionais nos seus
salários para trabalhar em regime de exclusividade. Entre os 164
professores, 51 são da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), 40
pertencem à Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), 36 lotados
na Universidade de Santa Cruz (Uesc) e outros 37 da Universidade
Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).
Os professores flagrados com o acúmulo ilegal vão
ser convocados pelo Diário Oficial do Estado (DOE), nesta quinta-feira
(17), para apresentarem explicações à Corregedoria Geral da Saeb.
Quem não tiver justificativas legais vão ter que
ressarcir o estado e regularizar a situação do duplo vínculo. “Esses
professores com dedicação exclusiva recebem adicionais para trabalhar
exclusivamente nas universidades e não estavam cumprindo a legislação”,
declarou o secretário da administração, Edelvino Góes.
A Saeb calculou a restituição com base na diferença
salarial entre os professores com e sem dedicação exclusiva. A diferença
da remuneração será multiplicada pelo tempo em que o professor acumulou
as duas atividades irregularmente.
Caso o servidor não faça o ressarcimento do valor
recebido irregularmente, o débito será inscrito na dívida ativa do
estado. O débito será caracterizado como título executivo e cobrado por
meio de ação judicial de execução.
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