Um Sonho Justo de Governo
A democracia participativa é uma forma
de exercício do poder, baseada na participação dos cidadãos nas tomadas de
decisão política.
Atravessamos o século XX, acreditando que a forma Representativa era um modelo ideal para os cidadãos, que
assegura a liberdade e igualdade de todos, que isso seria o verdadeiro conceito
de democracia, mas passados pouco mais de cem anos, chega-se ao século XXI e
acredita-se numa crise existente nesse modelo de Democracia.
Os
representantes já não conseguem mais identificar e atender demandas da
sociedade. A população tem se organizado melhor em torno de infinitas questões,
e conquistando melhor o espaço público e essa população tem cobrado de maneira
mais efetiva de seus representantes. As exigências vêm se tornando mais
complexas e fica evidente a necessidade da participação em conjunto entre
representantes e representados.
O
conceito de democracia sofre então uma nova reviravolta em sua trajetória. É
preciso considerar que a democracia representativa já não responde mais as
demandas da sociedade e a democracia direta parece impossível. E como síntese
para a resposta dessa crise começa a se formar o conceito de democracia
participativa, tendo características da forma semidireta, por não
desconsiderar seus representantes, mas aproximando os representados na arena
política. E conforme alguns teóricos afirmam que a democracia participativa se
configura entre a direta e representativa.>>>>>>LEIA MAIS>>>>>>>
Definiremos com breves palavras esse modelo de democracia tão sonhado:
- Por democracia participativa podemos entender um conjunto
de experiências e mecanismos que tem como finalidade estimular a participação
direta dos cidadãos na vida política através de canais de discussão e decisão. A
democracia participativa preserva a realidade do Estado (e a Democracia Representativa). Todavia, ela busca superar a
dicotomia entre representantes e representados recuperando o velho ideal da democracia grega: a participação ativa e efetiva dos
cidadãos na vida pública (SELL, 2006, p. 93).
Os mecanismos e instituições da democracia representativa tem se mostrado significativamente limitados: “os velhos e tradicionais mecanismo e instituições tem se revelado muitas vezes insuficientes, embora necessários, para garantir a existência de um regime político efetivamente democrático” (Ricardo Rodrigues apud ANDRADE, 2003, p. 6-7). Com isso, novos e modernos instrumentos de controle e participação no poder devem ser permanentemente colocados em prática democrática em junção com a sociedade atual. Esses mecanismos tem que ser criados para o complemento e não reformulação das instituições representativas, mas que englobem na dinâmica política a realidade da sociedade civil que está cada vez mais organizada em suas entidades e associações, dando a prática democrática uma realização mais dinâmica, efetiva e real.
Para que as experiências de democracia participativa obtenham
êxito, as administrações municipais têm papel fundamental, através da criação
de canais de interconexão que viabilizem a integração entre governo e dos
diversos segmentos da sociedade, especialmente a população de menor renda. De
tal maneira, que possam ser partícipes das diversas fases do processo de
planejamento e de deliberação das Políticas Públicas a serem implementadas nas cidades (2009,
p. 34).
Fazendo com que o “direito de ser cidadão” esteja
além do momento das eleições, dando-lhes condições de colaborar na construção
do espaço público e efetivando a ideia de soberania popular, segundo a qual,
“todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos (Democracia Representativa), ou diretamente (tendência para
a democracia participativa)” (FONSECA, 2009, p. 36).
O problema é que “apesar de serem encontrados no sistema
jurídico brasileiro, novos canais que viabilizam a integração entre
representantes e representados de forma mais efetiva, o que se percebe, é que o
exercício da cidadania está delimitado ao direito de votar e ser votado”
(FONSECA, 2009, p. 14).
Falta em nosso país uma cultura cívica que altere o modus
operandi do sistema vigente. Falta também vontade política, seja por parte
do Poder Executivo (por medo de partilhar parte do poder
constituído), seja por parte do Poder Legislativo (de ver diminuído seu papel na elaboração
e aprovação de leis), criando “um distanciamento entre governo e sociedade –
que é próprio do regime representativo” (FONSECA, 2009, p. 15).
Mas a crise da democracia contemporânea envolve fatores que
vão além da representação e da apatia política.
Carole Pateman afirma (1992) que desde o início do século XX
muitos teóricos políticos levantaram sérias dúvidas sobre a possibilidade de se
colocar em prática um regime democrático no sentido literal do termo (governo
do povo por meio da máxima participação do povo). E Bobbio (2000) indica pelo
menos três fatores a partir dos quais um projeto democrático tem-se tornado
difícil de se concretizar nas sociedades contemporâneas: a especialidade, a
burocracia e a lentidão do processo.
- O primeiro
obstáculo diz respeito ao aumento da necessidade de competências técnicas que
exigem especialistas para a solução de problemas públicos, com o
desenvolvimento de uma economia regulada e planificada. A necessidade do
especialista impossibilita que a solução possa vir a ser encontrada pelo
cidadão comum. Não se aplica mais a hipótese democrática de que todos podem
decidir a respeito de tudo.
- O segundo obstáculo refere-se ao crescimento da burocracia, um aparato de poder ordenado hierarquicamente de cima para baixo, em direção, portanto, completamente oposta ao sistema de poder burocrático. Apesar de terem características contraditórias, o desenvolvimento da burocracia é, em parte, decorrente do desenvolvimento da democracia [...]
O terceiro obstáculo traduz uma tensão intrínseca à própria
democracia. À medida que o processo de democratização evoluiu promovendo a
emancipação da sociedade civil, aumentou a quantidade de demandas dirigidas ao
Estado gerando a necessidade de fazer opções que resultam em descontentamento
pelo não-atendimento ou pelo atendimento não-satisfatório. Existe, como
agravante, o fato de que os procedimentos de resposta do sistema político são
lentos relativamente à rapidez com que novas demandas são dirigidas ao governo
(BOBBIO, 2000 apud NASSUNO, 2006, p. 173-174).
Mas a crise da democracia contemporânea, longe de diminuir
sua validade, aumenta ainda mais a importância da participação da sociedade
civil em um projeto de consolidação do Estado Democrático de Direito.
Hoje em dia se fala muito em gestão democrática como uma forma de articular a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e implementação de Políticas Públicas que devem ser elaboradas com a participação da sociedade civil em geral, obedecendo o preceito da democracia participativa que considera a participação direta da sociedade na formulação de políticas públicas e nos atos da Administração Pública.
Ao refletir sobre toda emblemática que envolve este “Sonho de Governo” vemos cada vez distante de vermos realizado este sonho de governo participativo muitas das vezes por falta de interesse dos governantes em manter uma gestão transparente onde o cidadão esteja engajado em todo processo de planejamento e de deliberação das Políticas Públicas a serem implementadas nas cidades (2009, p. 34).
Queridos leitores não devemos esquecer a ideia de
soberania popular, segundo a qual, “todo o poder emana do povo, que o exerce
por meio de representantes eleitos ou diretamente pela partição popular devemos
sempre lutar por este sonho de governo para termos uma gestão política de
igualdade na distribuição dos recursos públicos.


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