MASCOTE NOTICIAS E BELEZAS NATURAIS: Perfil de falso jurista na Wikipédia é utilizado em decisões judiciais e documentário

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25 de fevereiro de 2016

Perfil de falso jurista na Wikipédia é utilizado em decisões judiciais e documentário

Foto: Reprodução
Perfil de falso jurista na Wikipédia é utilizado em decisões judiciais e documentário
Um perfil de um jurista falso criado na Wikipédia foi utilizado em trabalhos acadêmicos, documentários e até para embasar uma decisão judicial. O perfil do falso jurista Carlos Bandeirense Mirandópolis foi criado pelos advogados Victor Nóbrega Luccas e Daniel Tavela Luís. Em entrevista ao site G1, os advogados afirmaram que tudo não passou de uma brincadeira. A ideia de criar o perfil surgiu após perceberem o hábito de alguns estagiários de usar informações da internet sem checar a veracidade. Os advogados pediram a um estagiário que pesquisasse sobre a teoria da Oferta Pública de Associação, "que não existe". Na Wikipédia, o jurista é apresentado como educador, filósofo político, compositor e advogado brasileiro, e com legado e história louváveis. A foto apresentada do falso jurista é, na verdade, do político austríaco Michael Häupl. Na descrição, Bandeirense é descrito como um homem que "marcou época não somente por seus profundos estudos sobre as associações civis como também por ter sido um incansável defensor da democracia", e que ocupou a cadeira de direito civil da PUC-SP, entre 1959 e 1968, e que foi obrigado a deixar o país depois da edição do AI-5. No exílio, ele teria ido para França para lecionar na Université de Paris e que, ainda exilado, teria sido convidado para a cadeira de Ruy Barbosa na Academia Brasileira de Letras, mas declinou o convite declarando: "Como posso ser imortal na terra em que já morri há muito?". A história do falso jurista ainda envolve o cantor Chico Buarque de Hollanda e que o personagem teria participado do Comício das Diretas Já, em 1984, no seu último ano de vida. O perfil foi criado em 2010, mas os criadores não imaginavam o impacto que o personagem teria. "A coisa tomou uma proporção que a gente nunca imaginava. Eu esperava aparecer em alguns blogs, mas não em uma fonte mais séria. Eu gargalhei. Mas, se é engraçado por um lado, é triste por outro, porque as pessoas não estão usando a internet corretamente”, disse Victor ao G1. O personagem foi utilizado para fundamentar uma decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), de novembro de 2014, que declarou a constitucionalidade da lei estadual 6.528/13, que determina, dentre outros, a proibição do uso de máscaras ou de qualquer forma de ocultar o rosto para impedir a identificação em manifestações. Em seu voto, a relatora do processo, desembargadora Nilza Bitar argumentou que "as maiores manifestações deste país foram feitas por brasileiros sem máscaras, fossem elas de direita ou de esquerda". Entre os apontados está o Comícios das Diretas Já, no qual consta como participante o falso jurista.

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"