Foto: José Cruz / Agência Brasil
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta
segunda-feira (29) no Tribunal de Justiça de São Paulo, um pedido de
habeas corpus para evitar o depoimento do petista na investigação feita
pelo Ministério Público Estadual de São Paulo sobre o apartamento
tríplex reservado à sua família no Guarujá (SP). A oitiva de Lula, da
ex-primeira-dama Marisa Letícia e de Fábio Luiz, o Lulinha, filho mais
velho do casal, está marcada para quinta-feira. Na intimação, o promotor
Cássio Conserino ameaça conduzir o ex-presidente coercitivamente em
caso de recusa. Segundo o Instituto Lula, o habeas corpus alega que, na
condição de investigado, o ex-presidente tem direito ao silêncio e não
pode ser conduzido coercitivamente. Conserino, no entanto, declarou
ontem não ter intenção de conduzir coercitivamente o ex-presidente e que
o termo "condução coercitiva" foi escrito erroneamente na intimação.
"Talvez tenham utilizado modelo padrão para notificação de testemunhas,
uma vez que nessa hipótese é possível", assinalam os promotores
Conserino e Fernando Henrique de Moraes Araújo.
Ainda ontem Lula
protocolou documento no MPE por meio do qual apresenta sua versão sobre o
tríplex 164-A do condomínio Solaris, no Guarujá (SP), imóvel do qual
ele nega ser o proprietário. Em nota, o Instituto Lula informou que o
ex-presidente e a ex-primeira-dama "prestarão todos os esclarecimentos
por escrito e não em audiência". Com essa estratégia - "explicações
escritas" -, o petista busca esclarecer dúvidas sobre o imóvel
levantadas na investigação conduzida pelo promotor. Conserino já havia
intimado uma primeira vez o ex-presidente para depor no dia 17 de
fevereiro. Mas uma liminar obtida pela defesa do petista no Conselho
Nacional do Ministério Público barrou o depoimento. Na semana passada, o
conselho, por unanimidade, autorizou a continuação das investigações no
âmbito da Promotoria. Na sexta-feira passada, Conserino novamente
intimou Lula. Em nota, o Instituto Lula afirmou ontem que "os advogados
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua esposa, Marisa
Letícia, protocolaram junto ao Ministério Público de São Paulo as
explicações escritas a respeito da investigação sobre o apartamento
tríplex, no Guarujá. Os esclarecimentos foram enviados em decorrência de
novo depoimento marcado pelo promotor de justiça Cassio Conserino." O
instituto do ex-presidente reafirmou que houve "prejulgamento ou
antecipação de juízo de valor" por parte do promotor Cássio Conserino,
que, em entrevista à revista Veja de 22 de janeiro, declarou, "de forma
incisiva e peremptória", que iria denunciar o ex-presidente Lula e a
ex-primeira-dama. *As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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