Notícias
Metade dos menores de rua é viciada em crack
De acordo com a Semps, 3,5 mil pessoas vivem nas ruas de Salvador; 10% destas são menores
17.03.2013 | Atualizado em 17.03.2013 - 08:14
Visualizações: 1109 - Versão Impressa
Visualizações: 1109 - Versão Impressa
Jorge Gauthierjorge.souza@redebahia.com.br
Com apenas 12 anos, D. já tem as mãos queimadas pelo fogo que usa para acender o cachimbo do crack. Os olhos vermelhos e os dentes escurecidos indicam um uso contínuo da droga. “Ô tio, só fumo quando tô com fome”, responde o menino, que afirma ser vítima de espancamentos da avó depois que os pais foram assassinados por traficantes de Plataforma, no Subúrbio.
Com apenas 12 anos, D. já tem as mãos queimadas pelo fogo que usa para acender o cachimbo do crack. Os olhos vermelhos e os dentes escurecidos indicam um uso contínuo da droga. “Ô tio, só fumo quando tô com fome”, responde o menino, que afirma ser vítima de espancamentos da avó depois que os pais foram assassinados por traficantes de Plataforma, no Subúrbio.
Região do Centro Antigo, que inclui Pelourinho, é área onde h[a mais crianças e adolescentes usando crack em Salvador
A aparência fragilizada do menino, que diz não saber ler nem escrever, entrega o consumo da droga. “Apanho muito. Fico na rua o dia todo. Moro aqui faz tempo”, conta o garoto, que passa os dias perambulando pelo Centro Histórico de Salvador em busca de trocados que completem o valor de uma pedra: R$ 5. Na hora de fumar, até os banheiros químicos viram abrigo.
Assim como D., as crianças e adolescentes em situação de rua em Salvador têm no crack um refúgio. O secretário municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza, Maurício Trindade, afirma que pelo menos 50% deles usam a droga, de acordo com mapeamento feito pela secretaria.
Leia mais:
Especialista acha que número de viciados em crack pode ser maior
Equipes de abordagem vão às ruas em abril
Efeitos do crack na infância são mais devastadores
“Hoje, a população em situação de rua em Salvador é de 3.500 pessoas. Desses, 10% são menores e pelo menos metade usa crack. A criança é muito mais susceptível à influência da droga”, diz Maurício Trindade. Partindo dessa estimativa, há pelo menos 175 menores viciados em crack vivendo espalhados pelas ruas da capital baiana.
O mapeamento da Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps) indica que a maioria das crianças e adolescentes que consomem a droga - assim como os usuários de todas as faixas etárias - está concentrada onde o dinheiro circula. “Para alimentar o vício, é a forma que elas encontram, na abordagem dos turistas ou em bairros nobres”, diz a coordenadora da Proteção Social Especial da Semps, Dinsjani Pereira, que indica o Centro Antigo como área de maior concentração.
Quem conhece bem a Rua 3 de Maio, no Pelourinho, conhece um menino franzino que fuma crack por ali. O garoto, que anda com farda do Colégio Estadual Odorico Tavares, não foi à escola. “Ele passa os dias dormindo todo sujo e parecendo um zumbi. Todo com os dedos queimados e o nariz machucado de cheirar coisa errada”, comenta uma comerciante da rua, que prefere não se identificar.
O consumo do crack, geralmente, é feito com adultos. “Essas crianças não têm família próxima e por isso ficam vulneráveis nas mãos de adultos e até mesmo de traficantes”, diz Trindade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
COMENTÁRIOS: