Em uma sessão cheia, o plenário da Câmara
dos Deputados cassou o mandato parlamentar de Natan Donadon (sem
partido-RO). Por 467 a favor, nenhum voto contra e apenas uma abstenção
(do peemedebista Asdrubal Bentes, do Pará, já condenado em processo de
2011 pelo Supremo Tribunal Federal), Donadon perdeu o mandato por quebra
de decoro parlamentar em votação aberta. Donadon surpreendeu os colegas
ao comparecer à sessão da noite desta quarta-feira, 12. Ele chegou sem
algemas, com a roupa branca do presídio e trocou por um terno, gravata e
broche de deputado.
Nesta segunda votação, ele desistiu de discursar e
deixou o pronunciamento da defesa aos cuidados de seu advogado, Michel
Saliba. Aos jornalistas, Donadon alegou que estava sendo injustiçado,
que foi transformado em bode expiatório e que não poderia ser julgado
mais uma vez pelos seus pares. Ele deixou o plenário antes do término da
votação.
Durante a sessão, os líderes partidários se
revezaram na tribuna defendendo sua cassação e alegando constrangimento
da Casa em manter um “deputado presidiário” entre seus quadros. Hoje, as
bancadas foram orientadas a votar pela perda do mandato de Donadon. Em
agosto passado, Donadon conseguiu se livrar da cassação ao fazer um
discurso que comoveu seus colegas. Na ocasião, a votação foi secreta.
Neste novo processo, ele era acusado de denegrir a imagem do Parlamento
ao usar algemas em agosto passado e por ter votado na primeira sessão
que o livrou da perda do mandato, o que não era permitido.
Na votação secreta da ocasião, o resultado foi 233
votos a favor da cassação, quando eram necessários 257 votos. Dos
votantes, 131 votaram contra a cassação e 41 se abstiveram. Donadon foi
condenado a 13 anos, 4 meses e 10 dias por peculato e formação de
quadrilha e cumpre pena na Papuda desde junho passado.
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