
Manifestações em alta no sudeste | Foto: Reprodução/
Sindicato dos Metarlúrgicos
Apesar
das demissões em massa no segmento automobilístico seguirem em alta no
ABC paulista, os representantes dos trabalhadores do segmento na Bahia
ainda não têm previsões de qualquer reestruturação que possa afetar os
funcionários no estado. Contudo, o próximo passo das associações
trabalhistas é ficar de olho em possíveis desdobramentos da tendência
nacional, que podem levar à reestruturação do pólo automotivo baiano. Em
fato mais recente sobre o caso, uma manifestação de empregados e
ex-empregados da Volkswagen, Ford e Mercedes-Benz reuniu um total de 10
mil trabalhadores no ABC Paulista, na manhã de segunda-feira (12). Na
Bahia, o pólo automobilístico é representado por duas montadoras
instaladas em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (RMS): a
companhia Ford, que segue o funcionamento desde 2001, e a JAC Motors,
de 2011. A presidente baiana da Força Sindical, Anair Goulart, acredita
que o cenário nacional pode ameaçar as finanças das montadoras na Bahia.
“Se há uma retração em nível de São Paulo, também cai na Bahia”, disse
Goulart. O impacto disso, contudo, ainda não foi medido pelo grupo.
Adiantado pelo jornalista Felipe Patury, a Força Sindical
nacional sinalizou que até 20 mil demissões em montadoras no Brasil.
Somadas com segmentos de autopeças e assessórios, o número do corte pode
chega a 300 mil. Isso porque a tendência é que, em 2015, o setor
automobilístico pode encolher até 20%. Apesar da projeção, o que
preocupa Goulart ainda está em outro setor: o da área naval. “Foi
anunciado que a Enseada de Paraguaçu será paralisada. O setor, que é da
construção pesada, emprega muita mão de obra. Se houver esse retrocesso,
são milhares de trabalhadores e isso representa um desastre na área do
Recôncavo, que já gerou sete mil empregos”, afirmou a presidente da
Associação baiana. Em nota no site oficial, o presidente do sindicato
dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, afirmou que “o movimento
sindical tem conseguido nos últimos anos evitar demissão em massa e
manter os níveis de empregabilidade, com muito esforço”. “Se há uma
crise no setor automotivo ela não foi criado pelos trabalhadores. Nossa
luta é para que não haja demissões em massa e sim pela preservação dos
empregos, tão importantes para toda a Região Metropolitana de Salvador”,
disse o presidente, em nota. De acordo com último balanço da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no Brasil, a
produção de autoveículos teve queda de 23,1% entre novembro e dezembro
de 2014 – de 264,8 mil para 203,8 mil unidades em todo o país.
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