Pela proposta, valores pagos a mais até 31 de janeiro de 2016 serão ressarcidos pela União
Ao final de quase um mês de articulações do
ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o Senado aprovou, na noite desta
terça-feira, o projeto de lei complementar que estende até 31 de janeiro
de 2016 o prazo para aplicação do novo indexador na correção das
dívidas de estados e municípios. Pela proposta, que volta para a Câmara,
os valores pagos a mais até essa data serão ressarcidos pela União. A
relatora do projeto, Marta Suplicy (sem partido-SP), rejeitou em seu
parecer essa emenda apresentada pelos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e
Walter Pinheiro (PT-BA), mas na votação em separado, o adiamento foi
aprovado por 52 votos a favor e 18 contra.
O projeto de lei complementar originário da Câmara,
de autoria do líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), aprovado em rito
sumário na Câmara em resposta a demora do governo em regulamentar a
aplicação do novo indexador, previa que se em 30 dias após a
manifestação do devedor não fosse feito o recálculo, o governador ou o
prefeito poderia fazer o depósito corrigido em juízo. Mas essa aplicação
do novo índice em 30 dias foi derrotada.
(Foto: Jonas Pereira/Agência Senado)
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"A
emenda consolida o entendimento entre entes federados e o governo. Vai
evitar uma guerra de quatro ou cinco anos para o retorno desses recursos
aos estados e municípios. É um avanço", defendeu Jucá.
Contra o adiamento da aplicação do novo indexador, o
senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que Joaquim Levy protagonizou uma
cena patética ao avisar que a presidente Dilma Rousseff não cumpriria um
acordo feito, durante a eleição, com governadores e prefeitos.
"O adiamento da redução das dívidas é mais um
artifício para o ministro Joaquim Levy atingir o superávit fiscal que
ele persegue para 2015 , nas costas combalidas de estados e municípios",
criticou Aécio.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, comemorou a aprovação do projeto.
"É bom porque a lei estende o que já conseguimos na Justiça a todos os outros entes da federação", disse Paes.
TEXTO APROVADO INCLUI EMENDA DE SERRA
No texto aprovado, Marta Suplicy incluiu uma sub emenda do senador José Serra (PSDB-SP), que permite a estados e municípios usarem até 70% de depósitos judiciais de processos em andamento para pagar precatórios, dívidas e despesas de capital, como garantia de investimentos em infraestrutura em PPPs e pagamento de despesas previdenciárias. Os outros 30% ficam com os bancos, num fundo garantidor para pagar causas vitoriosas para os consumidores.
No texto aprovado, Marta Suplicy incluiu uma sub emenda do senador José Serra (PSDB-SP), que permite a estados e municípios usarem até 70% de depósitos judiciais de processos em andamento para pagar precatórios, dívidas e despesas de capital, como garantia de investimentos em infraestrutura em PPPs e pagamento de despesas previdenciárias. Os outros 30% ficam com os bancos, num fundo garantidor para pagar causas vitoriosas para os consumidores.
O projeto de Serra libera, em 2015, R$21,1 bilhões
para aliviar as contas de estados e municípios num momento de retração
de recursos em função do ajuste fiscal. Se transformada em lei, a
proposta do tucano irá injetar nos cofres de estados e municípios um
estoque acumulado em 2015, e nos anos seguintes, a partir de 2016,
ficaria em cerca de R$1.6 bilhão por ano.
"Estamos dando aos estados e municípios um impulso
muito grande para enfrentar essa situação dura que teremos aí pela
frente", defendeu Serra.
Mas o novo líder do Governo, senador Delcidio Amaral
(PT-MS), tentou adiar a votação da proposta de Serra mas não teve
sucesso. Ele acabou liberando a bancada governista na votação.
Pela manhã, Joaquim Levy se reuniu com o presidente
do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e manifestou preocupação com a
aprovação do projeto de Serra. Ele pediu cautela e se disse preocupado
especialmente com os bancos que detêm esses depósitos.
"Essa questão do depósito judicial tem de ser levada
com extrema cautela. Ela não pode causar nenhum risco para os bancos
que têm esses depósitos e não podem sequestrar todo o caixa, porque há
coisas muito importantes para financiar, como o plano safra. Não se pode
tomar uma decisão com precipitação. É preciso uma análise de risco
cuidadosa, que não exponha nenhuma instituição financeira e que não
tenha interferência indesejável na questão do plano safra", afirmou o
ministro.
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