Crise: bancos já projetam dois anos de recessão
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
A recuperação da economia brasileira deverá ser realmente lenta. As
projeções feitas por bancos e consultorias já têm apontado uma retração
mais forte do que o previsto para 2015 e uma recessão para o ano que
vem. Ontem, a equipe de economistas do Credit Suisse, chefiada pelo
economista Nilson Teixeira, revisou sua projeção de queda para o Produto
Interno Bruto (PIB) neste ano de 1,8% para 2,4%. Também foi revista a
projeção para 2016. Antes, a previsão era de um crescimento de 0,6%. No
relatório de ontem, a projeção para o PIB de 2016 virou uma recessão de
0,5%. "Essa seria a primeira vez desde 1930-1931 que o País teria uma
recessão por dois anos consecutivos", destacaram no documento os
economistas do Credit Suisse. Naquela época, a economia mundial sofria
os efeitos da Grande Depressão de 1929. Segundo dados do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o PIB, naquele período, recuou 2,1%
em 1930 e 3,3% no ano seguinte. No cenário traçado pelos outros bancos
do País, o Itaú também prevê recessão para 2016 - a economia deverá
encolher 0,2%. O Bradesco prevê estagnação para o ano que vem, e o
Santander, um pequeno crescimento de 0,1% (ver quadro). Forte contração.
Para a equipe do Credit Suisse, a dinâmica dos principais indicadores
de atividade, como o IBC-Br, por exemplo, indica que o PIB deve sofrer
uma significativa contração no 2.º trimestre: "Não descartamos também
uma contração no terceiro trimestre de 2015 devido à dinâmica
desfavorável nos setores de agropecuária, indústria e serviços. Com
isso, esperamos que o crescimento do PIB ante o trimestre anterior recue
1,9% no segundo trimestre de 2015, 0,4% no terceiro e 0,1% no quarto
trimestre". Na avaliação do Departamento Econômico do Credit Suisse, a
maior queda do PIB em 2015 reduz o carrego para 2016. "A estabilidade do
PIB no patamar do quarto trimestre durante todos os trimestres de 2016
implicaria em um crescimento negativo do PIB de 0,6% em 2016. Com isso,
nossa previsão de uma contração de 0,5% em 2016 é compatível com uma
expansão do PIB de 0,1% ao trimestre na comparação com o trimestre
anterior, muito abaixo da média de 0,4% entre o primeiro trimestre de
2011 e o primeiro de 2015", afirmam os economistas.
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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