Oposição vai pedir investigação de Temer e pode incluí-lo no pedido de impeachment
Senador Álvaro Dias diz ex-presidente pode virar réu de ação
Foto: Divulgação
O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), assinou no
exercício da Presidência, entre novembro de 2014 e julho de 2015, sete
decretos que abriram crédito suplementar de R$ 10,807 bilhões mesmo em
um cenário de crise econômica e queda na arrecadação. A prática é a
mesma adotada pela presidente Dilma Rousseff e que consta, agora, como
um dos principais motivos para o pedido de impeachment aberto contra a
petista na Câmara. Diante disso, a oposição vai pedir ao Tribunal da
Contas da União (TCU) uma investigação sobre os atos assinados pelo
peemedebista. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que, se o TCU
confirmar que o vice-presidente cometeu os mesmos ilícitos de Dilma, ele
será "envolvido" no processo de impeachment. "Se a conclusão for de que
o vice também cometeu crime de responsabilidade, é óbvio que o processo
de impeachment deve ser ampliado e os dois deverão ser colocados no
mesmo banco dos réus", disse o tucano. Temer, que assumirá a Presidência
em caso de afastamento de Dilma, não consta até o momento como alvo de
nenhuma das irregularidades apontadas pelo parecer que será colocado em
discussão para o impeachment em comissão especial da Câmara. Questionado
nesta segunda-feira (7) sobre os decretos, Temer disse que agiu em nome
de Dilma. "Nas interinidades em que exerce a Presidência da República, o
vice-presidente age apenas, formalmente, em nome da titular do cargo.
Ele deve assinar documentos e atos cujos prazos sejam vincendos no
período em que se encontra no exercício das funções presidenciais. Ele
cumpre, tão somente, as rotinas dos programas estabelecidos pela
presidente em todo âmbito do governo, inclusive em relação à política
econômica e aos atos de caráter fiscal e tributários", disse Temer, por
meio de sua assessoria. Temer também deixou claro que seguiu a política
econômica e fiscal de Dilma. "O vice-presidente não formula a política
econômica ou fiscal. Não entra no mérito das matérias objeto de decretos
ou leis, cujas justificativas são feitas pelo Ministério da Fazenda e
pela Casa Civil da Presidência, em consonância com as diretrizes
definidas pela chefe de governo", afirmou Temer, em referência direta a
Dilma. Os decretos foram assinados por Temer antes da aprovação, pelo
Congresso, da mudança da meta fiscal. Tanto em 2014 quanto neste ano, o
vice os editou em períodos em que Dilma estava fora do país, em viagens
oficiais internacionais. Tanto no pedido de impeachment, feito por
juristas com endosso da oposição, quando no parecer do presidente da
Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB), que autorizou a abertura de uma
comissão especial para analisar a admissibilidade do processo de
cassação de Dilma se embasam, entre outros pontos, em seis decretos não
numerados assinados pela petista, que liberaram R$ 2,5 bilhões em
créditos suplementares em julho e agosto deste ano, meses antes da nova
meta fiscal ser aprovada pelo Congresso, o que só ocorreu na semana
passada. Os decretos assinados por Temer, somente em 2015, apresentaram
um volume três vezes superior aos de Dilma. Foram quatro decretos
editados por ele neste ano: um em 26 de maio, liberando R$ 7,28 bilhões;
e três em 7 de julho, que abriram crédito suplementar, de pouco mais de
R$ 3 bilhões, ao todo.
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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