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3 de julho de 2016

O negócio ideal para jovens empreendedores

Eles apostam em ramos que vão da tecnologia à comida saudável

Pouca experiência, mas muita ousadia. Esse é o perfil dos jovens que antes mesmo dos 30 anos já viraram patrões. Para quem quer investir, os especialistas indicam os negócios mais promissores para os jovens empreendedores: com destaque para as áreas de bem-estar e tecnologia. Mas o que não falta é alternativa, ainda mais para quem está cheio de gás para pegar no pesado. Além do desejo de não ter patrão, a crise tem empurrado logo cedo para o mundo dos negócios muitos recém-formados com dificuldade de entrar no mercado de trabalho.
 
Foto: Edson Chagas | GZ 
Ousadia | Vinícius Loyola, 29 anos (à esquerda), e Taiguara Moura, 28, abriram o restaurante há 10 meses e, além da loja própria, já têm três franquiados da marca criadas por eles. Os dois pediram demissão para abrir o negócio. "Trabalhamos bastante, mas valeu a pena. Hoje, nosso rendimento é maior e estamos satisfeitos"
 
A nova geração está entrando no mercado e não é para brincar. Pesquisa realizada pelo Sebrae aponta que as empresas dos empreendedores com menos de 30 anos estão se tornando mais estáveis e duradouras: 49% dos jovens patrões entrevistados possuem cinco anos ou mais de empresa.
 
O estudo traçou o perfil do jovem empreendedor, entre 26 e 30 anos, proprietário de microempresas com faturamento que vai de R$ 60 mil a R$ 360 mil por ano. Entre os ramos do empreendedorismo, a prestação de serviço é o mais escolhido pelos jovens, com 48%. O comércio vem em segundo lugar com 27%. O ramo da tecnologia em terceiro com 12%, indústria em quarto lugar com 10% e o agronegócio em quinto com 3%.
 
Foto: Guilherme Ferrari | GZ 
Pai é a inspiração | Thais Katsilis, 24 anos, abriu um ateliê que utiliza renda guipure, fabricada pelo pai dela. "Tudo que faço no ateliê, me pergunto se gostaria de usar. Tento dar personalidade ao meu negócio para que o público busque um diferencial"
 
O professor dos cursos de Administração e Marketing da Faesa, Henrique Hamerski, relata que na disciplina de Empreendedorismo foi realizada uma pesquisa para identificar os interesses do jovens em abrir a própria empresa. Segundo ele, 90% dos alunos têm interesse de abrir o negócio. “O jovem busca liberdade e percebo que eles não querem ter um chefe, querem ter autonomia e flexibilidade. Com pouca idade, ainda tem tempo para testar e errar até acertar”, assinala o professor.
 
Para ele, o ramo de tecnologia, como micro franquias, aplicativos e consultorias é uma bela escolha, já que a demanda só faz crescer nos últimos anos. Outra aposta do professor está nos negócios relacionados à qualidade de vida.
 
Foto: Bernardo Coutinho | GZ
Cliente oculto | Miguel Morandi, 26 anos, desenvolveu com dois sócios uma plataforma de cliente oculto, com cadastro pela internet. A start up começou com a ideia de fomentar o crescimento de outras empresas. "Entrar no mercado é desafiador, principalmente pela falta de experiência"
 
Foi exatamente o que fizeram o publicitário Vinícius Loyola, de 29 anos, e o administrador Taiguara Moura, de 28, que abriram um restaurante de comida natural há dez meses. Hoje, além da unidade própria, já têm três lojas franqueadas. “Trabalhei muitos anos em agência de publicidade e cheguei até o cargo de diretor de criação. Devido à queda do mercado por causa da crise, e a desvalorização do salário, pedi demissão e comecei a conversar com Taiguara, que também tinha saído do emprego. Sempre tive a ideia de ser empreendedor e apostar em uma marca que pudesse virar uma franquia”, conta Loyola.
 
Os dois se planejaram conseguiram dar o pontapé inicial com investimento baixo. Hoje, para eles, trabalhar na própria marca é o mais motivador. “Nosso rendimento hoje é maior do que quando trabalhávamos com carteira assinada. Trabalhamos bastante e estamos satisfeitos com isso. E o melhor de tudo, sem o pensamento de que não estamos sendo valorizados”.
 
OPÇÕES DE NEGÓCIOS

Tecnologia
 
Os jovens têm facilidade de lidar com tecnologia. Nesse segmento, é possível trabalhar com microfranquias tecnológicas, marketing digital, aplicativos, consultoria, entre outros.
 
Vida saudável
 
Negócios relacionados à saúde e qualidade de vida estão em alta no mercado. Entre as opções de loja estão: de suco natural, de tapioca, restaurante de saladas e outros negócios que oferecem alternativas para quem quer ter uma alimentação mais saudável.
 
Moda
 
Pode ser uma boa aposta investir na moda, inclusive nas empresas que oferecem produtos mais descolados.
 
Aulas
 
Se você tem um bom conhecimento do inglês, por exemplo, é possível dar aulas via internet. Aulas de música e dos mais diversos esportes também são boas alternativas de negócio.
 
Conhecimento
 
Algumas empresas disponibilizam em seus sites projetos que podem ser desenvolvidos por profissionais em qualquer lugar, inclusive de casa.
 
Comércio virtual
 
Outra opção para quem busca por pequenos negócios lucrativos é a criação de uma loja virtual voltada para um segmento de mercado bem específico, o que é conhecido como e-commerce de nicho. Pesquise as áreas em alta.
 
Franquias
 
Para quem está pensando em correr menos riscos, uma boa possibilidade é investir em franquia. No site www.abf.com.br, há opções de negócios até para trabalhar de casa.
 
MAIS QUE UM TRABALHO, EMPRESA PRÓPRIA É REALIZAÇÃO PROFISSIONAL
 
Os jovens de hoje não querem perder tempo ao atuar em um negócio pelo qual não estão apaixonados. Por isso, muitos abandonam o emprego e montam uma empresa com a intenção de fazer aquilo que sempre sonharam. “Essa é uma mudança comportamental muito positiva para o mercado. Eles querem criar coisas novas, resolver problema e por isso se cansam de trabalhar como empregado. O desejo deles é serem seus próprios chefes”, explica analista da Unidade de Atendimento Individual ao Cliente do Sebrae, Jéssika Tristão. Para ela, os jovens procuram empreender mais por oportunidade do que por necessidade.
 
Foto: A Gazeta
Aspas de Jéssika Tristão 

O doutor em Administração e professor da Fucape, Emerson Mainardes, dá algumas orientações. Segundo ele, antes de abrir o próprio negócio, o jovem deve buscar conhecimento em diversas áreas como gestão, além de precisar entender de economia, de mercado, e, claro, dos clientes.
 
“O melhor negócio é aquele que tem cliente. Não adianta se empolgar com uma coisa e não ter ninguém para comprar. A vantagem do jovem é ter pouco a perder”, comentou o professor.
 
Para a filósofa Viviane Mosé, os jovens podem empreender em negócios ligados à internet. Ela alerta, no entanto, que é preciso ter cuidado para não investir em algo que já está sendo feito na rede mundial de computadores. “Se não der certo, essa atividade vai ajudá-lo a encontrar uma carreira. O jovem tem que empreender, pois assim ele descobre seu verdadeiro talento e encontra uma possibilidade de ganhar dinheiro sozinho”, disse.
 
A psicóloga Giovana Carvalho observa que não é preciso estar pronto para empreender, basta ter alguns cuidados e acreditar em seus sonhos. “Para abrir o próprio negocio é preciso ter disciplina, pro-atividade, espírito empreendedor, disponibilidade e resiliência para errar e tentar de novo”, avaliou Giovana.
 
DICAS PARA SER EMPREENDEDOR
 
Perfil
 
Para tornar um negócio realidade, é preciso se capacitar, saber sobre gestão de empresas e traçar um plano de negócios. Comece a pesquisar mais sobre isso e procure o Sebrae para obter ajuda.
 
Organização
 
Organize as informações coletadas. Procure conhecer bem o negócio que você vai atuar e defina as defina estratégias para posicionar corretamente no mercado. Além disso, estabeleça parcerias e busque informações constantemente.
 
Registro
 
A última etapa é registrar o negócio e torná-lo realidade.
 
ANÁLISE
 
Pensamento estratégico
 
"Ser empreendedor é uma característica que cabe tanto para quem quer abrir um negócio próprio quanto para aquele que vai trabalhar em uma empresa. Empreender quer dizer ter a capacidade de executar uma atividade do início ao fim. Trata-se de uma questão de comportamento e atitude, que se distingue de acordo com o posicionamento dentro da organização. Uma pessoa empreendedora é aquela que está pautada a pensar estrategicamente, a identificar necessidades e oportunidades de mudança, ou seja, é aquela que busca constantemente progresso dentro da atividade que está sendo desenvolvida. A partir disso, qualquer profissional pode ser empreendedor, seja proprietário, empregado ou consultor" [ Arilda Teixeira Doutora em Economia e professora da Fucape ]*A GAZETA

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"