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Após volta às aulas, professores da rede estadual já têm data para nova paralisação
Os professores anunciaram que vão aderir à paralisação nacional programada para acontecer nos dias 23, 24 e 25 deste mês
Foto: Arisson Marinho
Estudantes em aula inaugural; poucos sabiam da paralisação
Natália Aguiar
natalia.aguiar@redebahia.com.br
natalia.aguiar@redebahia.com.br
Depois de uma greve de 115 dias no ano passado, mais
de um milhão de alunos da rede estadual de ensino da Bahia voltaram às
salas de aula ontem com uma surpresa. Os professores anunciaram que vão
aderir à paralisação nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação (CNTE), programada para acontecer nos dias 23, 24 e 25
deste mês.
Antes da notícia da paralisação se propagar, os
estudantes participaram de uma aula inaugural no auditório da Escola
Parque, no bairro da Caixa D'Água, em Salvador.
A paralisação foi confirmada pela diretora da APLB
Sindicato, Marilene Betros. Segundo ela, os professores vão participar
de uma assembleia na próxima terça, às 9h, no Ginásio dos Bancários, nos
Aflitos. Marilene diz que a categoria reivindica o cumprimento da lei
do piso, implementação da jornada e profissionalização dos funcionários
da educação.
Procurada, a Secretaria Estadual da Educação
afirmou estar ciente da paralisação e que as escolas estarão abertas nos
três dias previstos para a mobilização dos docentes.
Estudante da 8ª série, Estefane Rodrigues, 14 anos,
lembrou que uma nova paralisação agora só vai prejudicar ainda mais sua
vida. “A greve comprometeu meus estudos”, lamentou a adolescente.
Estefane pensa em ir para uma escola particular, já que tem planos de
prestar vestibular para Medicina. “Na greve, fiquei com medo de perder o
ano. E ainda as aulas demoraram para começar. Vou rezar para que não
tenha uma nova greve”.
Considerado pelos professores o aluno referência da
Escola Parque, Caíque Santos Nascimento, 15 anos, disse estar feliz por
voltar às aulas após um mês de férias. “Acho estranho voltar à escola em
plena quarta-feira, mas é legal ver amigos e professores”.
Cursando o 2º ano, o jovem tem planos para um futuro
promissor, como se preparar previamente para o Enem e depois fazer
faculdade de Publicidade. Caíque também sofreu com a greve dos
professores e não vê com bons olhos a paralisação neste início do ano
letivo. “A última greve foi longa demais, atrapalhou muito. Faltou
entendimento entre professores e governo”.
Os colegas Ícaro Santana, 18 anos, Lucas Lopes, 15,
e Lismar Sacramento, 18, que fazem o 2º ano, desabafaram ao falar sobre
os momentos que viveram. “Para mim não valeu em nada, (a greve) só
prejudicou”, desabafou Lucas.
Sobre o retorno às aulas, Ícaro se mostra empolgado.
“Este ano entraram professores novos, isso passa uma boa impressão”. Já
Lismar torce para que a paralisação fique só nos três dias. “Se
prolongar, seremos prejudicados”.
Segundo o secretário da Educação, Osvaldo Barreto,
apesar da greve, o governo conseguiu normalizar o calendário, com os 200
dias letivos que devem ser cumpridos. Segundo ele, as matrículas
continuam abertas.
Os interessados devem se dirigir à unidade de
ensino onde desejam estudar, que pode ou não ter vaga. O ano letivo
terminará em janeiro de 2014 e os alunos terão aulas em 12 sábados deste
ano.
Mas estão garantidos os recessos de São João e
Natal. Com relação aos estudantes que vão fazer vestibular, Barreto
garante que não haverá prejuízo. “Eles vão conseguir fazer o Enem em
outubro, que hoje é o grande elemento de seleção para as universidades”.
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