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Discurso de Dilma foi "orientado por profissionais do marketing", diz Marina
A ex-ministra do Meio Ambiente disse ainda que agenda política precisa ser “feita com todos aqueles que querem assumir posição”
A ex-senadora Marina Silva (da Rede, partido em
formação) criticou hoje a reação da presidente Dilma Rousseff às
manifestações populares que acontecem em todo o país nas últimas
semanas. Em pronunciamento na última sexta-feira (21), Dilma afirmou
estar aberta ao diálogo e disse que convidaria representantes de
manifestantes para conversar.
Ontem, ela se reuniu com integrantes do MPL
(Movimento Passe Livre) e anunciou um um processo constituinte
específico para a reforma política. Para Marina, a atitude de Dilma
baseou-se em um “um modelo reativo, tradicional”. “Em primeiro lugar,
na minha opinião, [Dilma fez] um discurso orientado por profissionais
do marketing, que não surtiu efeito. Depois, uma tentativa de dar
resposta, aí sim, (...) mas em uma reunião anunciando aos governadores o
que já havia sido decidido, (...) sem conversar com os diferentes
setores da sociedade”, disse Marina após encontro com congressistas que
apoiam sua legenda.
A ex-ministra do Meio Ambiente disse ainda que
agenda política precisa ser “feita com todos aqueles que querem assumir
posição”. Marina reconheceu, no entanto, que a classe política foi
incapaz de prever a magnitude do movimento. “Todos os políticos, mesmo
eu, que dizia que ia transbordar, estamos atônitos com o que aconteceu.
É muito maior do que eu podia imaginar.” Marina repetiu que o momento é
de “olhar de baixo para a cima” e que não é hora de partidos ou outras
entidades tentarem assumir a liderança do movimento. “Esse não é o
momento de capitalizar. Capitalizar agora é não ter entendido nada.”
Constituinte
A ex-senadora não se colocou
contrária à ideia de um processo constituinte específico para a
reforma política. “Se houver um respaldo constitucional, é uma forma
para restaurar [a política nacional].” Ela ponderou, no entanto, que se
as mudanças forem propostas pelos partidos que hoje estão no poder,
sem participação maior da sociedade, “será mais do mesmo”. “Se a
reforma política for feita apenas com participação de deputados e
senadores eleitos por partidos verticalizados, vai ser mais do mesmo”,
criticou.
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