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Michel Temer diz que proposta de realizar uma constituinte é "inviável"
Afirmação vai de encontro com o que a presidente Dilma Rousseff anunciou
O vice-presidente Michel Temer afirmou hoje que é “inviável” a proposta de realizar uma constituinte específica para a reforma política. Ele disse, contudo, que isso não representa um recuo do governo, que, mais cedo, afirmou que outras propostas estão em estudo.
“Acho inviável. Até por uma razão singela. Tenho
até posição definida há muitos anos a respeito disso, dizendo que a
constituinte é algo que significa o rompimento da ordem jurídica.Seja
exclusiva ou não exclusiva, porque ela nunca será exclusiva, ela sempre
abarcará uma porção de temas”, disse.
“Para a solução atual, ou seja, não se faz
necessário romper a ordem jurídica, o que se faz necessário é consultar
o povo. O povo vai dizer qual é a reforma política que quer. É voto
distrital, é voto em lista, é financiamento público, financiamento
privado, e depois o Congresso deve ser obediente à opinião popular”,
completou.
A afirmação vai de encontro com o que a presidente
Dilma Rousseff anunciou em reação às recentes manifestações populares.
Ontem, ela sugeriu convocar um “processo constituinte” para discutir a
reforma. “Acho que em nenhum momento houve uma expressão referente à
chamada constituinte exclusiva ou privativa”, disse Temer. “O que ontem
quis significar e disse é que era importante ouvir a voz das ruas. E a
voz das ruas se ouve pelo plebiscito. E o que ela propõe é um
plebiscito.”
Questionado por que não houve uma correção formal
da Presidência, em que deixasse claro que Dilma não propunha
especificamente uma constituinte, ele disse que não se tratou de um
erro. “Eu conversei só hoje com a presidenta. O que houve foi uma
expressão, 'processo constituinte específico', mas a ideia do processo
constituinte específico, que está no texto, é antecedida pela ideia do
plebiscito. Então pode-se dizer o seguinte: um certo problema
redacional, mas que é solucionado pela primeira parte, que fala do
plebiscito, que é ideia da presidenta”, disse.
“Ela não voltou atrás, não. Eu conversei muito com ela hoje e ela na verdade quis dizer aquilo que eu acabei de salientar: ela quis focalizar o tema do plebiscito. E está corretíssimo. Não se trata de constituinte, trata-se de consulta popular, de plebiscito.”
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