O que mais chamou atenção foi a rapidez com que Neymar se adaptou à Europa
Os 100 primeiros dias dos 1.827 que Neymar tem de
contrato com o Barcelona foram cumpridos da melhor maneira possível. Da
estreia no dia 30 de julho, em um amistoso contra o Lechia Gdansk, na
Polônia, até a última quarta-feira, na vitória diante do Milan, no Camp
Nou, pela Liga dos Campeões da Europa, o craque fez muito mais do que
se esperava dele em um período tão curto: marcou gol em decisão de
título e em clássico, deu dribles desconcertantes e assistências
magistrais.
O resultado disso tudo é que Neymar acabou com a
desconfiança que o cercava, conquistou torcedores e imprensa e já é
ídolo na Catalunha. Prova do prestígio do brasileiro foi dada na última
sexta, quando Xavi rasgou elogios ao craque ao fazer um balanço desse
início de trajetória do atacante no Barcelona. “Neymar tem um jogo
individual letal e magnífico. A cada partida é mais importante para a
equipe. É um jogador extraordinário”, disse. Ser elogiado por Xavi tem
um peso maior do que ser aplaudido pelo técnico Tata Martino.
Isso porque enquanto o treinador acabou de chegar
ao clube, o meia está no Barcelona desde 1991. Respeitadíssimo, é o
líder da geração mais vitoriosa da história do clube, campeã de tudo. E
para Xavi, Neymar ainda vai dar muitas alegrias aos amantes do bom
futebol. “Ele é jovem, tem margem para crescer e tenho certeza que vai
melhorar ainda mais”, avaliou.
O que mais chamou atenção foi a rapidez com que
Neymar se adaptou à Europa. A expectativa era que a mudança de clube e
país abalasse o jogador, que poderia demorar para apresentar com a
camisa do Barça o repertório que exibiu pelo Santos. Mas não foi isso
que aconteceu. Com a ajuda do amigo Daniel Alves, que está na Espanha
há 10 anos, ele logo entendeu o “jeito de ser” do Barcelona.
Depois de uma estreia tímida, na qual jogou apenas
15 minutos, ele já mostrou mais desenvoltura na partida seguinte,
quando atuou 45 minutos na acachapante goleada por 8 a 0 sobre o
Santos. Mas foi na turnê que o Barcelona fez pela Ásia que o craque
mostrou as suas credenciais. Marcou dois gols contra Tailândia e
Malásia e liderou a equipe com “gotas de magia”, como descreveu o
jornal Mundo Deportivo. O melhor, no entanto, ainda estava por vir.
De volta à Espanha, na decisão da Supercopa diante
do Atlético de Madrid, Neymar marcou o gol que garantiu o empate por 1 a
1. O craque, então, virou “Neymarazo” para o diário Sport. Aquele gol
ganhou importância maior na semana seguinte porque com o empate por 0 a
0, no Camp Nou, o Barcelona só foi campeão graças ao tento marcado
fora de casa. Era o primeiro título de Neymar no Barcelona e a primeira
taça do Barcelona dada por Neymar. Com o craque, a decepção pela
eliminação para o Bayern de Munique na Liga dos Campeões da temporada
passada ficou para trás e os torcedores começaram a vislumbrar dias
melhores.
O protagonismo da equipe continuava com Messi, mas
Neymar era capaz de mudar o ritmo de jogo do Barcelona com arrancadas e
jogadas imprevisíveis. Um a um, todos os companheiros passaram a
elogiar o craque e a defendê-lo das críticas de que cavava faltas em
excesso. Voluntarioso, ele dosava na medida certa lances individuais e
jogadas coletivas. Não à toa encantava até mesmo os torcedores de
Madri, eternos rivais dos catalães. Neymar era notícia exclusivamente
por aquilo que fazia dentro de campo. Na Espanha, o craque passou a
evitar exposições em público e deixou de ser o jogador midiático dos
tempos de Santos.
Até mesmo o uso de redes sociais foi controlado e
as postagens de maior repercussão foram aquelas em que declarou o seu
amor pela namorada Bruna Marquezine.
Contra o Valladolid, no dia 5 de outubro, com Messi
machucado, ele fez a sua melhor partida pelo Barcelona. Atuando como
“falso 9”, teve uma atuação estupenda. Não só pelo gol que marcou aos
25 minutos do segundo tempo, mas principalmente pelos dribles e passes
que distribuiu aos companheiros. A cada partida, Neymar se sentia mais à
vontade. Em plena sintonia com os companheiros, passou a jogar com
mais liberdade e coragem.
Para se consagrar de forma definitiva, falta apenas
uma grande atuação contra o arquirrival Real Madrid. E ela veio no
último dia 26. O craque foi melhor jogador do Superclássico ao marcar
um gol e dar a assistência para o chileno Alexis Sanchez fazer outro de
cobertura. A atuação de gala contra o Real Madrid emitiu o sinal de
alerta aos adversários. Além de Messi, o Barcelona contava com Neymar. A
pergunta que todos faziam era: como marcar dois gênios? Após o
brasileiro decidir o clássico com o Espanyol com uma tacada de mestre
(fez um cruzamento rasteiro em que a bola passou entre as pernas de
dois zagueiros e achou Alexis Sanchez sozinho para garantir a vitória),
o técnico rival Javier Aguirre nada pôde fazer além de dizer que se
sentia privilegiado de enfrentar um craque do quilate de Neymar.
“É um
prazer jogar com pessoas desse nível”. E, assim, Neymar continua a
aumentar a sua lista de fãs confessos.

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