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19 de março de 2014

"Ela sabia demais da minha vida", diz jovem que matou a ex-namorada na Praia da Costa

Segundo informações da Polícia Civil, Christian Cunha, 19, confessou o crime e deu detalhes em seu depoimento, dizendo ainda que seria pior para ele se a moça continuasse viva

Foto: Reprodução/Facebook
Bárbara Richardelle, 18 anos, encontrada morta e estrangulada na margem da Rodovia Darly Santos, em Vila Velha. 18/03/2014
Aparentando frieza e a mesma expressão facial séria, e com um olhar firme, Christian Cunha, de 19 anos, assassino confesso da ex-namorada, a vendedora Bárbara Richardelle, 18, detalhou o que pensou e o que fez em cada momento em que esteve com a vítima.

Segundo Christian, quando Bárbara o procurou para falar sobre o vazamento das fotos dela seminua na internet, ele prometeu que iria ajudá-la a descobrir quem teria divulgado as imagens.

O jovem afirmou que ele não foi o responsável por esse vazamento, e que foi enquanto ele e a vítima pensavam em quem poderia ter feito isso, é que os dois começaram a discutir e, em seguida, ele decidiu estrangulá-la.

“Ela continuava pedindo ajuda, e eu disse que iria ajudá-la. Só que, enquanto pensávamos em quem teria feito isso, acabamos discutindo. E essa briga levou à discussão de várias outras coisas. Depois, quando ela disse que ia embora, eu fui abrir a porta. Mas, de repente, veio em minha cabeça que ela sabia coisa demais e não poderia sair dali assim”, lembrou.

Christian revelou ainda que, depois que estrangulou Bárbara, percebeu que, se ela continuasse viva, ele sofreria uma consequência pior. Então pegou a cavadeira e começou a agredi-la. “Agi por medo de que algo pior acontecesse comigo”, declarou.

Da mesma forma como contou detalhes do crime, Christian afirmou que só sentiu dor pela morte de Bárbara e por tudo que havia acontecido quando viu o pai, um micro-empresário de 45 anos chorando na Delegacia de Homicídios e Proteção às Mulheres (DHPM) depois que soube que ele é que era o assassino da vendedora.

Christian afirmou que agiu em um momento de loucura, e que está arrependido de ter matado a ex-namorada. “Gostaria de deixar claro que eu estou muito mais do que arrependido com isso tudo”, disse.

O crime

O rapaz, que trabalha como eletricista com o pai, contou que se encontrou com a vítima na obra em que ele trabalhava, por volta das 17h de segunda-feira.

Ela saiu da loja onde era vendedora, foi ao encontro do ex-namorado e os dois discutiram. O assunto principal era o mesmo que havia provocado o fim do relacionamento: fotos de Bárbara seminua que haviam vazado na internet.

A jovem acusava Christian – com quem namorou por mais de um ano – de ter divulgado as imagens. Ela teria enviado os registros via e-mail para o acusado, em janeiro do ano passado.

Bárbara voltou para o trabalho chorando, transtornada com a briga. Por volta das 19h, Christian ligou novamente para a garota e pediu para terem uma nova conversa, também na obra onde estava trabalhando.

A jovem atendeu ao pedido do ex-namorado e foi até a construção, localizada na Rua Henrique Moscoso.

Estrangulamento

Foto: Bernardo Coutinho
Christian Cunha, assessorado por três advogados, disse que não planejou o crime
O delegado Adroaldo Lopes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), disse que Christian confessou o crime. “Ele contou que os dois brigaram novamente e, ao encerrar a discussão, a vítima disse que tinha que ir embora, pois o namorado dela a aguardava. Christian disse que, quando Bárbara virou as costas para sair, ele a agarrou pelo pescoço e a esganou. Ao vê-la desfalecida, a soltou e o corpo caiu no chão”, detalhou o delegado.

Depois disso, ainda comprou um churrasquinho e um refrigerante e lanchou tranquilamente no local. Porém, ao perceber que Bárbara ainda se mexia, ele se armou com uma cavadeira que havia na obra e golpeou a ex-namorada no rosto até matá-la, por volta das 22h.

Já de madrugada, aproximadamente às 2h de terça-feira (18), o eletricista estacionou o carro que usava – um Fiesta preto, de propriedade do pai dele – em frente à entrada da obra. “Ele teve o cuidado de colocar o veículo próximo a um poste, na tentativa de que outras pessoas não o vissem”, detalhou Adroaldo Lopes.

O rapaz colocou o corpo de Bárbara no banco traseiro, conduziu o veículo até a Rodovia Darly Santos e o jogou às margens da estrada.

De acordo com o delegado, os dois haviam discutido porque Bárbara descobriu que fotos dela seminua tinham sido divulgadas na internet. Ela acusava o ex pela liberação das imagens.

Entre lágrimas, mãe se revolta

Foto: Bernardo Coutinho
A mãe da jovem entrou em desespero na delegacia
A mãe de Bárbara, Selma dos Santos Costa, 48 anos, ficou revoltada com a morte da filha. “Minha filha era um doce de menina. Eu vou arrancar os olhos desse desgraçado! Quero encontrar para dar (bater) na cara dele. Eu preciso esganar esse menino como ele fez com minha filha. Ele deve ser filho de chocadeira, pois não sabe o que é amor de mãe. Se soubesse, não teria feito isso”, disse Selma, em meio a lágrimas de desespero.

A mãe estava na delegacia e insistia em querer ficar frente a frente com Chistian, o assassino confesso da filha.

Selma precisou ser amparada por uma amiga. Ela, familiares e amigos de Bárbara passaram a noite de segunda-feira procurando pela garota, que não voltou para casa após o trabalho. Selma foi até a delegacia ao saber que o corpo de uma mulher jovem havia sido localizado pela Polícia Civil. Ela reconheceu o corpo da filha no Departamento Médico Legal (DML).
O velório de Bárbara ocorreu na manhã desta quarta-feira (19), no Centro Comunitário de Riviera da Barra, em Vila Velha. O horário do enterro ainda será decidido pela família.
Churrasco depois de esganar a ex-namorada 

Foto: Bernardo Coutinho
O acusado desenhou o percurso feito com o corpo
Depois de estrangular a ex-namorada Bárbara Richardelle, 18, o assassino confesso do crime detalhou que, pensando que ela já estivesse morta, foi até um bar próximo ao canteiro da obra – que é cercado por lona – e comprou um churrasquinho de frango e um refrigerante guaraná.

“Ele agiu com frieza. O rapaz comeu e bebeu ao lado do corpo, segundo ele, pensando no que faria com a vítima. Quando percebeu que a jovem ainda se mexia, Christian se apossou de uma cavadeira, desferiu golpes na face da vítima e a matou”, detalhou o delegado Adroaldo Lopes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).

A frieza descrita pelo delegado é reforçada por outras atitudes. Depois de matá-la, Christian forrou o banco traseiro do carro com uma caixa de papelão, na tentativa de não sujar o veículo. Segundo a polícia, o rapaz disse que segurou o corpo de Bárbara pela calça jeans e pela blusa para jogá-lo no carro.

Abraço

Como Bárbara não retornou para casa após o trabalho como vendedora, a mãe e parentes dela passaram a procurá-la. Durante a madrugada, uma tia da menina ligou para Christian contando sobre o desaparecimento e pedindo ajuda. “Enquanto ele estava ao lado do corpo, a mãe e a tia entraram em contato falando sobre o sumiço da garota. Ele disse que não tinha notícias e que também queria saber onde ela estava. Por volta das 5h de ontem, ele foi até a casa da família da Bárbara, abraçou a mãe da menina e disse que estava preocupado, se prontificando a ajudá-la”, detalhou Adroaldo Lopes.

O delegado acredita que, ao ligar pela segunda vez para Bárbara ir encontrá-lo, Christian já pretendia matá-la.

Logo após chegar à delegacia, na noite ontem, o eletricista negou o crime, mas, ao ver as fotos da jovem e como as evidências o apontavam como autor, acabou confessando.

Christian desenhou em um papel o caminho que fez e detalhou em que posição abandonou o corpo.

Ele foi preso em flagrante pelo crime de homicídio triplamente qualificado, sendo por motivo fútil, asfixia e impossibilidade de defesa da vítima.

Cristian Cunha, 19, reconstituição da cena do crime, onde matou a ex-namorada Barbara Santos asfixiada - Crédito: Bernardo Coutinho

Adroaldo Lopes, delegado da delegacia da mulher, mostra a cavadeira que Cristian Cunha utilizou para matar Barbara Santos - Crédito: Bernardo Coutinho

Carro que Cristian Cunha usou para carregar o corpo de Barbara Santos - Crédito: Bernardo Coutinho

Data: 18/03/2014 - ES - Vila Velha - Bárbara Richardelle, encontra na Rodovia Darly Santos- Editoria: Polícia - Foto: Marcos Fernandez- NA - Crédito: Marcos Fernandez

http://lutandopormascote.blogspot.com.br/2014/03/jovem-de-18-anos-desaparece-caminho-do.html


Polícia reconstitui cena do crime

Por volta das 18h30 de terça-feira (18), foi realizada a reconstituição do crime com participação do acusado, Christian Cunha.

De acordo com o delegado Adroaldo Lopes, o rapaz estava tranquilo. “Ele estava muito frio, e cooperando com a polícia”, diz Lopes.

Nas proximidades do local do crime vários curiosos tentavam acompanhar o trabalho.

No canteiro de obras o rapaz contou à polícia como matou Bárbara Richardelle, e a cavadeira manual usada para matar a menina também foi levada para o local.

Em um determinado momento, um dos policiais deitou no chão para que Christian mostrasse como acertou o pescoço da garota com a ferramenta. O trabalho durou cerca de 40 minutos. (João Carlos Fraga)

Arrependimento

“Não pensei. Fiz em um momento de raiva” Christian Cunha, 19 anos
Matou a ex-namorada

Sem demonstrar emoções, Christian Cunha, 19, estava acompanhado do pai e de três advogados na delegacia, na noite de ontem. Antes de sair junto do delegado para fazer a reconstituição do crime, ele comentou: “Fiz merda, agora vou ter que pagar”.

Você planejou matar Bárbara?
Não, não pensei em matá-la, não planejei isso.

E por que a matou?
Aconteceu na hora, foi um momento de raiva. Aconteceu.

 

Como você avalia sua atitude?
Fiz merda, agora vou ter que pagar pelos meus erros. Por isso estou aqui na delegacia, fazendo o que tenho que fazer. É isso.

Você se arrepende?
Sim, me arrependo do que fiz a Bárbara. 
(Com informações de Rhuani Maia, Mayra Bandeira, Glacieri Carrareto e João Carlos Fraga).


Fonte:(Redação Multimídia/Gazetaonline)

 

 

 

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"