KUALA LUMPUR, 17 Mar (Reuters) - O copiloto do avião desaparecido da
Malásia foi quem pronunciou as últimas palavras ouvidas da cabine, disse
nesta segunda-feira o executivo-chefe da companhia aérea, enquanto os
investigadores disseram estar considerando o suicídio do comandante ou
um primeiro oficial como a possível explicação para o sumiço.
Nenhum
indício do destino do voo MH370 da Malaysia Airlines foi identificado
desde que desapareceu em 8 de março, com 239 pessoas a bordo. Os
investigadores estão cada vez mais convencidos de que o aparelho foi
desviado talvez milhares de quilômetros para fora de seu curso por
alguém com profundo conhecimento do Boeing 777-200ER e de navegação
comercial.
Uma busca em grande escala sem precedentes está em
andamento, cobrindo uma área que se estende desde as margens do Mar
Cáspio, no norte, até as profundezas do oceano Índico.
O
executivo-chefe da linha aérea, Ahmad Jauhari Yahya, também disse em
entrevista à imprensa que não ficou claro exatamente quando um dos
sistemas de rastreamento automático do voo havia sido desativado,
parecendo contradizer, assim, os comentários feitos no fim de semana por
ministros do governo.
As suspeitas de sequestro ou sabotagem se
fortaleceram ainda mais quando autoridades disseram no domingo que a
última mensagem de rádio do avião - um informal "tudo bem, boa noite" -
foi transmitida após o sistema de rastreamento, conhecido como "ACARS",
ter sido desligado.
"As investigações iniciais indicam que foi o
copiloto quem basicamente falou pela última vez em que foi gravado na
fita", disse Ahmad Jauhari nesta segunda-feira, quando lhe perguntaram
quem ele achava que havia dito as últimas palavras registradas.
Isso
foi um sinal de saída para os controladores de tráfego aéreo à 1h19,
quando o avião com destino a Pequim deixou o espaço aéreo da Malásia.
A
última transmissão do sistema ACARS - um computador de manutenção que
transmite dados sobre a situação do avião - tinha sido recebida à 1h07,
quando o avião atravessou a nordeste da costa da Malásia e se dirigiu
para o Golfo da Tailândia.
"Nós não sabemos quando o ACARS foi
desligado depois disso", afirmou Ahmad Jauhari. "Deveria ter transmitido
30 minutos depois, mas essa transmissão não se concretizou."
FOCO NA TRIPULAÇÃO
O
avião desapareceu das telas de controle de tráfego aéreo civil na costa
leste da Malásia menos de uma hora depois de decolar de Kuala Lumpur.
Autoridades malaias acreditam que alguém a bordo desligou os sistemas de
comunicação quando o avião atravessava o Golfo da Tailândia.
A
polícia da Malásia está checando detalhadamente o histórico dos pilotos e
do pessoal em terra para quaisquer pistas sobre um possível motivo para
o que eles dizem agora que está sendo tratado como uma investigação
criminal.
Quando lhe perguntaram se a hipótese de um piloto ou
copiloto suicida está sendo considerada, o ministro interino dos
Transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein, respondeu: "Estamos
examinando isso. Mas é apenas uma das possibilidades sob investigação",
acrescentou.
Os esforços intensivos de vários governos para
investigar a fundo todos os ocupantes do avião não tinham, nesta
segunda-feira, chegado a qualquer informação que relacionasse alguém a
bordo com grupos militantes, nem qualquer pessoa com um motivo político
ou criminoso conhecido que pudesse levar a um sequestro da aeronave ou
um atentado, disseram fontes de segurança dos Estados Unidos e Europa.
Uma
fonte familiarizada com as investigações dos EUA sobre o
desaparecimento disse que os pilotos estavam sendo estudados por causa
do conhecimento técnico necessário para desativar o sistema ACARS.
Muitos
especialistas e autoridades dizem que, enquanto o transponder do jato
pode ser desligado por um movimento súbito de um interruptor na cabine,
para desligar o ACARS é preciso que alguém abra um alçapão fora da
cabine, desça na barriga do avião e puxe um fusível ou disjuntor.
Seria
necessário, portanto, alguém com conhecimento sofisticado dos sistemas
de um Boeing 777, de acordo com pilotos e duas autoridades
norte-americanas próximas à investigação.
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