MPF encontra documentos que comprovam colaboração entre ditaduras da América do Sul
Foto: Marcelo Elizardo/G1
O
Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) revelou nesta
segunda-feira (24) que encontrou documentos comprobatórios da
colaboração entre os regimes ditatoriais da América do Sul entre as
décadas de 1970 e 1980. Segundo informações da Agência Brasil, o
material foi localizado na casa do coronel Paulo Malhães, morto em abril
deste ano. A existência da “Operação Condor”, como é conhecida, é
negada pelas Forças Armadas e pelo Ministério das Relações Exteriores. O
Grupo de Trabalho de Justiça e Transição do MPF-RJ descobriu os
documentos durante diligência na casa do militar e tinham relação com a
ação batizada de “Operação Gringo”, na qual estrangeiros suspeitos de
desempenhar qualquer atividade considerada ameaça à ditadura eram
monitorados, vigiados e presos. O Centro de Informações do Exército do
Rio de Janeiro era responsável pela operação. Um informe em espanhol, o
“Operação Congonhas”, dá detalhes da estrutura de organizações de
militância e guerrilha contra o regime argentino, além de explicar como
funcionava as atividades de infiltração de militares argentinos no
Brasil para monitorar, entrar em contato e prender os "inimigos”.
Segundo a advogada e integrante da Comissão da Verdade do Rio, Nadine
Borges, presente no depoimento concedido por Malhães, ele negava o uso
do nome “Operação Condor”, mas admitiu a existência da Operação Gringo.
“Ele contou ter coordenado uma ação para monitorar a entrada de todos os
estrangeiros. Ele tinha registro, fotos, endereços e codinomes de todas
as pessoas”, afirmou. De acordo com Nadine, a operação organizada por
Malhães colaborou para o fim da Guerrilha Montonera no Brasil, no sul do
país, que planejava um contraataque ao regime militar argentino, no
final da década de 70. O procurador-Geral da República, Rodrigo Janot,
disse em nota que a descoberta é um marco histórico para revelar os
responsáveis por crimes durante a ditadura e que os documentos são a
maior prova da existência da Operação Condor – sendo a Operação Gringo
seu braço internacional. Também foram encontrados nomes de organizações
estrangeiras e brasileiras contrárias ao regime militar e menção a 140
personalidades, como o político Leonel Brizola, o antropólogo Darcy
Ribeiro, o cantor e compositor Chico Buarque e o político e escritor
Francisco Julião.
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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