Hoje, ver Talisca na Seleção Brasileira é motivo de muito orgulho e alegria para os moradores do bairro Aviário.
A
vida do meio campista Anderson Talisca, ou Doda, como era conhecido
pelos moradores e amigos do conjunto Paulo Souto, no bairro Aviário,
antes de chegar ao Esporte Clube Bahia, não foi fácil. O menino pobre
era proibido pela mãe, dona Ivone, de sair para jogar bola, coisa que
mais gostava de fazer. Ele sempre arrumava uma forma de fugir e correr
para os campinhos próximos da casa simples onde morava no bairro da
periferia de Feira de Santana, interior da Bahia. Dona Ivone conseguiu
dar um jeito de segurar o garoto em casa, colocando-o nas aulas de
reforço escolar com a professora Jéssica Vasconcelos, que na verdade se
tornou uma aliada de Doda, ou Dodinha, o menino comprido do Aviário.
“Ele chegava para fazer os deveres de casa apressado, então, eu o
ajudava e depois o liberava pra ele ir para os treinos do time do Astro,
na Fazenda do Menor (projeto que tirava os meninos das ruas)”, contou a
professora. A vizinha da família, Célia Araújo dos Santos, também conta
que a mãe de Talisca se preocupava muito com os estudos do filho e por
isso o proibia de jogar bola. “A mãe queria que ele estudasse muito, mas
ele era louco por bola. Ele saía e tomava banho na casa da minha amiga,
depois pedia a professora para deixá-lo ir treinar. A pró deixava
escondido da mãe, que tinha medo de deixar ele sair, pois a gente mora
num bairro violento. Ela tinha medo, mesmo assim ele ia”, contou.
Jorginho, filho de Célia, era um dos melhores amigos de Talisca, que
sempre ia até a casa da vizinha chamar o garoto para jogar bola. “Não
queria que Jorginho saísse para brincar de bola com ele, pois eu tinha
medo que ele aprendesse coisas erradas, o bairro é muito perigoso”,
afirma dona Célia.
Jogar
bola sempre foi um sonho do garoto Talisca. Quando estava nas divisões
de base do Bahia, ele gostava de trabalhar como gandula nas partidas do
time profissional, no estádio Metropolitano de Pituaçu, talvez para
aprender, ou por “fome de bola”. Em 2012, Talisca foi vice-campeão da
Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Bahia na decisão com o Flamengo.
Logo depois, ele chegou ao time principal, onde neste ano foi escolhido o
craque do Campeonato Baiano.
Ainda
em 2014, no meio do Brasileirão, Talisca foi vendido para o Benfica de
Portugal, e logo no início no time português, o menino de Feira de
Santana já é o artilheiro da Liga Portuguesa, desempenho que chamou a
atenção dos milionários ingleses Arsenal, Chelsea, do técnico José
Mourinho, que elogiou muito o brasileiro, e também do Manchester United,
além de alguns gigantes italianos.
O
início empolgante na Europa fez com que o técnico Dunga convocasse o
menino do bairro Aviário para a Seleção Brasileira. Mas para quem pensa
que essa será a primeira vez que Talisca, apelido que ganhou na base do
Bahia, vai vestir a camisa amarelinha, está enganado! A primeira
amarelinha que Talisca vestiu foi a da Associação Unidos Venceremos,
equipe amadora do Aviário, motivo de orgulho para Evandro Oliveira da
Silva, que foi o primeiro técnico do jogador e com muita alegria nos
mostrou o registro desse momento.
Hoje,
ver Talisca na Seleção Brasileira é motivo de muito orgulho e alegria
para os moradores do bairro Aviário. “Estamos doidos para ele jogar na
terça-feira. Ele sempre foi um menino muito bom. Quando ele estava no
Bahia sempre vinha aqui no bairro e jogava bola no campo do lado do
presídio com meu filho e os outros meninos. Eu fico muito feliz pelo
sucesso dele” disse dona Célia, emocionada.
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