Repasses do governo para a educação são insuficientes, defendem prefeitos
Ângela Castro | Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias
Prefeitos baianos presentes no evento da União dos Municípios
da Bahia (UPB) realizado nesta segunda-feira (18) criticaram os repasses
feitos pelo governo federal para a educação em cidades do interior do
estado. Segundo a prefeita de Camacan, Ângela Castro, os valores do
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) não
são suficientes para cobrir os salários dos professores. Ela afirma que o
município era “rico” na época que era um polo de produção de cacau. Mas
com a chegada da Vassoura de Bruxa, passou a ser “pobre”. “O recurso
que vem dá pra pagar o salário base. O piso do salário mínimo é R$
1.917. Mas tem professores que conquistaram salários de R$ 4 mil, R$ 5
mil, R$ 6 mil... Dentro disso aí é que não dá”, explicou. Por causa
desta situação, sindicatos, prefeitura e Câmara formaram uma comissão
para estudar os recursos da gestão e encontrar uma forma de viabilizar
os salários. Os repasses para Mata de São João, na Região Metropolitana
de Salvador, também seriam abaixo do necessário. Segundo o presidente da
Câmara, Alexandre Rossi, os valores destinados para a merenda escolar
são “muito aquém” do investido. “Hoje o governo federal repassa uma
quantia mínima de R$ 0,30 quando a gente gasta R$ 1,50. E hoje Mata
passa por uma revolução na educação. Nós temos mais de 50% dos alunos em
tempo integral. Ou seja, eles vão pra escola, recebem todo o material
escolar, merenda, mochila, os livros... Além disso, cada escola tem uma
padaria, e cada aluno leva quatro pães pra casa”, avaliou, em entrevista
ao Bahia Notícias. Ainda assim, a administração municipal teria
conseguido “suplantar” os problemas gerados pela falta de repasses.
Questionado se um maior repasse para a educação não afetaria outros
serviços essenciais, Rossi defendeu que não só a gestão não prejudicou
outras áreas como ultrapassou as metas estabelecidas pelo governo. “Com
uma administração voltada para reduzir custos, nós hoje temos uma
receita compatível com realidade e conseguimos viabilizar essa merenda.
Nós superamos essa meta do governo, tanto na parte da educação quanto na
saúde”, explicou. Uma situação semelhante ocorre em Andaraí. Segundo o
prefeito Wilson Cardoso, a gestão investe R$ 1,20 na merenda, mesmo que o
repasse seja de R$ 0,30. O problema é que, de acordo com o gestor, o
Tribunal de Contas dos Municípios não consideram o investimento de
recursos próprios como parte dos 25% do orçamento que, por lei, deve ser
investido na educação. Por isso, muitos prefeitos não conseguiriam
atingir a meta estipulada. Para ele, as pautas enviadas pela UPB a
Brasília devem incluir questões como esta para auxiliar cidades menores.
“Se o TCM não está considerando isso, a lei maior, do congresso, deve
orientar para aceitar”, defendeu. Ainda assim, ele reclama da falta de
apoio de parlamentares eleitos com apoio local. “Os nossos deputados são
eleitos com os votos do município. Para que ele possa chegar lá. E
quando ele chega lá, a maior parte não defende o municipalismo. Isso aí é
que tem que acabar. Tem que escolher melhor os nossos candidatos”,
criticou.
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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