Imagem Reprodução/Internet
O ministro da Defesa Jaques Wagner, em entrevista à Época,
qualificou como "forçação de barra" o pedido de impeachment da
presidente Dilma Rousseff (PT) vindos dos protestos de rua. "Não adianta
querer colar nessa senhora as questões que dizem respeito à ética na
política. Sinceramente, é forçação de barra", declarou Wagner. De acordo
com o ex-governador da Bahia, o governo convive bem com as
manifestações, mas "fica surpreso com os protestos", por achar que está
fazendo tudo certo. "Acontece que a rua também vai evoluindo. O governo
incluiu 40 milhões, mas não pode viver dessa conversa a vida inteira",
disse. Sobre o reflexo das investigações da Operação Lava Jato no PT,
após a prisão do tesoureiro João Vaccari Neto, Wagner sugeriu não ser
possível "encontrar um partido que seja detentor de toda a pureza
imaginada". Para o ministro, uma responsabilidade do PT "foi não ter
feito, assim que chegou ao poder em 2003, a reforma política e mudado a
máquina de fazer política do país". Wagner não deixa claro se acredita
que a reforma política reduz a corrupção, mas destaca que a democracia
depende da transparência de instituições e que hoje não vê nenhum
partido que possa se dizer dono da ética. "Nós sempre fomos pregadores
disso. O choque maior, em relação ao PT, é que o pecado do pregador é
muito mais dolorido que o pecado do pecador", completou. Na entrevista, o
ministro da Defesa também criticou a dicotomia sobre o projeto da
terceirização, porque "toda vez que você bota um dogma e dicotomiza,
'terceirização sim ou não', acabou a conversa". E ainda falou sobre o
corte no orçamento que terá de ser feito para ajustar as contas do
governo. "A presidente não bateu o martelo. Tudo aponta para um corte de
50%", adiantou Wagner, que destacou a manutenção de projetos
estratégicos. São eles a compra dos caças suecos Gripen e o submarino
nuclear, tocado por um braço da Odebrecht, empreiteira envolvida na
Operação Lava Jato. Wagner disse não sentir impacto da operação no
projeto, por estar preocupado em preservar a economia. "Se você
descobriu uma laranja podre no saco, duas, três, quatro, dez, tira, joga
fora para não contaminar. Mas não pode pegar o saco inteiro, com 95%,
97% de laranjas boas e jogar fora", exemplificou.

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