Governo pode ir ao STF para explicar ‘pedaladas fiscais’
Escalado pela presidente Dilma Rousseff para defender o governo das
acusações de crime de responsabilidade fiscal, o Advogado Geral da União
(AGU), Luís Inácio Adams, afirmou nesta quarta-feira (8) ao Estado que,
a depender da evolução do processo de julgamento das contas federais no
Tribunal de Contas da União, o Executivo poderá recorrer ao Supremo
Tribunal Federal (STF). Ele ressaltou, porém, que no momento a principal
aposta e objetivo do governo é sensibilizar ministros e técnicos do TCU
e também líderes do Congresso Nacional com os argumentos econômicos
sobre as "pedaladas fiscais". Questionado sobre o interesse de setores
da oposição em ver as contas federais reprovadas no TCU, o que poderá
servir como base para um pedido de afastamento da presidente Dilma
Rousseff , Adams afirmou: "Não é a primeira vez que o tema aparece nem a
primeira vez que algum tribunal de contas possa sugerir uma reprovação
de contas. Isso nunca gerou impeachment. Isso é muita forçação de barra.
Falar em impeachment é um absurdo. Se essa é a aposta da oposição, essa
é uma aposta mal feita." Segundo Adams, o objetivo do governo é
discutir os fundamentos técnicos, objetivos e as convicções que
orientaram as decisões governamentais nas contas. "É isso que estamos
fazendo, no próprio TCU e no Congresso Nacional. Dependendo da forma
como o processo evoluir, posso ter um elemento para levá-lo ao Supremo,
mas é um processo que ainda está acontecendo e, neste momento, isso está
descartado", disse Adams, em entrevista gravada concedida ontem à noite
no Palácio do Planalto, logo após reunir-se com o ministro-chefe da
Casa Civil, Aloizio Mercadante. Uma das hipóteses que poderia levar o
processo ao STF são declarações recentes do ministro relator do processo
das contas de 2014 no TCU, Augusto Nardes. Na semana passada, Nardes
afirmou ao Estado que considerava "muito difícil" que o governo
conseguisse esclarecer as pedaladas fiscais e outras "distorções" nas
contas apontadas pelos técnicos do tribunal. Adams não citou o episódio
especificamente, mas quando questionado sobre isso, citou a Lei Orgânica
da Magistratura (Loman), norma que estabelece todas as regras para
juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores.
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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