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Alexandre Lyrio
Alexandre Lyrio: realmente, a Fonte Nova é do Bahia
11.03.2013 | Atualizado em 11.03.2013 - 05:49
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Chico Queiroz, mago das narrações ludopédicas despreocupadas com o sentido das coisas, foi de uma lucidez incrível naquele Ba-Vi de 1992. “Artur! Gol de placa, gol de rei na Fonte Nova! Aos 25 minutos da fase segunda! Artur! Gol de rei na Fonte!”.
Caindo pela esquerda, o ponta Zé Roberto havia passado por três e cruzado na medida para Arturzinho. Com dois jogadores expulsos ainda no primeiro tempo, o Vitória venceria o jogo com nove em campo. E Artur, nas palavras do narrador do Telesportes, àquela altura era o rei do Octávio Mangabeira.
Como se vê, realmente, a Fonte Nova é do Bahia.
Anos depois, aquele gramado conheceu o seu cacique. Em 2007, aos 35 minutos, Índio dispararia a primeira flechada e empataria o jogo contra o rival no histórico Vitória 6x5 Bahia. Marcaria outras três vezes. Nas palavras do narrador Oliveira Andrade, cujo o gogó aguentou firme os 11 gols, o atacante desferiu “flechadas de amor para a galera rubro-negra”.
Realmente, veja só, a Fonte Nova é do Bahia.
Voltamos para 1994. Quase ninguém quer se lembrar, mas no “ano de Raudinei”, o Vitória fez o Bahia cair de quatro duas vezes na Fonte. Logo no primeiro clássico do ano, um acachapante 4x0. Um de Ramon, um de Dão e dois do cabeludo Pichetti. “Onze é o número da sorte!”, narrou duas vezes Juracy Santos, que em uma frase definiu a superioridade rubro-negra. “O Vitória deita e rola em cima do Bahia”.
Realmente, não há dúvidas de que a Fonte Nova é tricolor.
Não só em cima do coirmão o Vitória deitou e rolou na grama esmeralda. Em 1992, Alex Alves partiu da intermediária do seu campo, passou como um foguete por toda a defesa do Corinthians e fez o gol mais bonito que a velha Fonte já viu. Ajudou o time a chegar na final do Brasileiro. O repórter Zé Eduardo ainda não era Bocão e resumiu bem aquela noite: “Nas arquibancadas, a torcida fez a festa no ritmo do Olodum”.
Tá bom, tá bom. A Fonte Nova é propriedade exclusiva do Bahia.
Isso só para ficar na história mais recente, encontrada em antigos compactos após um rápido e saudoso passeio no Youtube. É que o intruso desta coluna assistiu dezenas e dezenas de glórias rubro-negras nas pelejas próximas ao Dique do Tororó. E não foi pela TV. Foi ali, no cantinho destinado aos de camisa vermelha e preta. Cantinho que, com o passar dos anos, foi ficando pequeno para a torcida que mais cresceu no Brasil nas últimas décadas. E os tricolores foram se espremendo.
Realmente, a Fonte Nova é, somente só, do Bahia.
Até se voltarmos mais para trás, no período hegemônico do rival, o Vitória viveu momentos importantes no gigante de concreto. Quase metade dos 26 títulos estaduais são da era Fonte Nova. Portanto, afirmar que a nova Arena é do Bahia não parece apenas deselegante com o real proprietário (o Governo do Estado). É também uma forma de tentar deixar para trás a história de heróis que ali derramaram sangue rubro-negro. Mas tem coisas que não tem como apagar.
Hoje, o Vitória tem o Barradão, esse sim exclusivo. Pelo visto, vai continuar mandando seus jogos lá. Eu concordo. Afinal de contas, o Manoel é diferencial de resultados e aconchego. Mas, não há porque desertar totalmente o lugar que, por décadas, foi a casa rubro-negra. A Arena será uma segunda e boa opção de morada. Digamos que seremos um inquilino de luxo. O dono, pelo menos no campo, muda a cada jogo, a cada Ba x Vi. Dia 7 de abril, veremos novamente de quem é a Fonte Nova. Dá até para imaginar um desses narradores de hoje, não tão irresponsáveis como um Chico Queiróz, exaltando mais um feito histórico: “Escudero! O primeiro gol da Arena Fonte Nova é do argentino Escudero!”.
FONTE: http://www.correio24horas.com.br/colunistas/detalhes/artigo/alexandre-lyrio-realmente-a-fonte-nova-e-do-bahia/
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