Bonificações e lucros prometidos pela empresa não devem ser ressarcidos.
Grupo teve atividades suspensas por suspeita de pirâmide financeira.
Ratreadores de veículos vendidos pela
empresa BBom (Foto: Divulgação)
empresa BBom (Foto: Divulgação)
Os associados da empresa BBom,
que vende rastreadores de veículos e teve seus bens bloqueados e
atividades suspensas por suspeita de pirâmide financeira, no início
deste mês, podem ser ressarcidos apenas com os valores que investiram
inicialmente no negócio. De acordo com o Ministério Público Federal em Goiás
(MPF-GO), o embargo dos bens e contas bancárias visou garantir futuras
indenizações aos consumidores lesados pelo esquema. No entanto, segundo o
órgão, os lucros e bonificações prometidos pela BBom podem não ser
incluídos nesta devolução.
De acordo com a procuradora da República Mariane Guimarães, em momento
oportuno, será requerido da empresa a relação completa dos
participantes. “Com esses dados, a Justiça terá como definir quais são
os valores para ressarcimento, proporcionalmente aos bens bloqueados, de
acordo com o que for possível para cada caso”, explicou a procuradora.
Segundo Mariane, os associados precisam guardar alguns documentos que
comprovem a participação para assegurar uma indenização. “Todos devem
arquivar os boletos de pagamentos, extratos bancários, contratos
assinados, e-mails, correspondências ou outros documentos. Tudo isso
pode provar que a pessoa tinha sua cota na BBom”, explicou.Como a empresa teve as atividades suspensas, os pagamentos de taxas mensais não devem mais ser efetuados. “A decisão judicial suspendeu todas as atividades da empresa relacionadas à oferta de rastreadores, ao recrutamento de pessoas e à venda de pacotes e recebimento de mensalidades. Os consumidores devem paralisar todas as prestações e também a indicação de novos integrantes para a rede, sob pena de aumentar o risco e o valor do prejuízo”, destacou a procuradora.
A BBom é investigada por uma força tarefa, que realiza uma varredura em todo o país contra a prática de pirâmide financeira. Em Goiás, os Ministérios Público Federal e Estadual suspeitam que a companhia não tenha todos os rastreadores oferecidos aos associados. A procuradora Mariane Guimarães disse ter constatado no site Reclame Aqui mais de 1.200 reclamações de associados que nunca receberam os rastreadores.
Procuradora Mariane Guimarães participa
das investigações (Foto: Gabriela Lima/G1)
das investigações (Foto: Gabriela Lima/G1)
"Estranhamente, a empresa só informa nos autos uma amostragem, que seria de 14 mil equipamentos negociados. Também demonstra ter adquirido 70 mil aparelhos para vendas futuras", destacou a procuradora.
Por meio de nota enviada por sua assessoria de comunicação, a BBom informou ao G1 que comprou 1.250 mil rastreadores, sendo que 30 mil já foram entregues, 75 mil estão em estoque, 145 mil, em trânsito, e 1 milhão de aparelhos serão entregues seguindo a previsão de entrega dos fornecedores. “Em até 60 dias todas as solicitações serão atendidas, conforme o cronograma de solicitação”, diz a nota.
Bloqueio de bens
Os pedidos de bloqueio de bens e suspensão das atividades foram acatados pela juíza federal substituta da 4ª Vara Federal de Goiânia, Luciana Laurenti Gheller, no último dia 10. Desde então, estão bloqueados R$ 300 milhões em contas bancárias do grupo, além de cerca de 100 veículos, incluindo motos e carros de luxo como Ferrari e Lamborghinis.
Em uma segunda liminar, no dia 17, a juíza determinou a "imediata suspensão" das atividades desenvolvidas pela empresa Embrasystem, conhecida pelos nomes fantasia BBom e Unepxmil, e proíbe o cadastro de novos associados bem como a captação de recursos financeiros junto aos associados que já integram a rede. A decisão é provisória e ainda cabe recurso.
Cuidados contra golpes
"Quando as facilidades são muito grandes, temos que desconfiar"
Rosania Nunes, superintendente Procon-GO
Segundo ela, a atividade de maketing multinível, praticada por algumas empresas como Natura e Herbalife, são devidamente regulamentadas. “Elas recebem novos representantes, porém os lucros dos participantes são provenientes da venda de produtos e não apenas do recebimento de mensalidades”, ressaltou.
Já no caso das pirâmides financeiras, as bonificações são frutos apenas da indicação de novos participantes, que pagam taxas mensais. “Sempre existe um produto usado como fachada, mas não é ele quem sustenta o negócio. Nesse esquema, só conseguem ganhar dinheiro os primeiros sócios, pois, ao longo do tempo, as redes vão se extinguindo e os últimos integrantes acabam lesados”, explicou Rosania.
Por isso, além de investigar a idoneidade da empresa, é preciso levar em conta quais são as promessas de retorno. “Quando as facilidades são muito grandes, temos que desconfiar”, recomenda da superintendente em exercício do Procon-GO.
Fonte: http://g1.globo.com/goias/noticia/2013/07/associados-da-bbom-podem-receber-apenas-investimento-inicial-diz-mpf.html

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