Notícias: MPF vai receber grupo da TelexFree em Brasília
Grupo contesta liminar expedida pela Justiça do Acre que congelou as atividades da empresa
O Ministério Público Federal (MPF) vai receber o grupo de associados da
TelexFree, que fecharam nesta terça-feira (23), durante cerca de duas
horas, os acessos ao aeroporto de Brasília. Depois que MP decidiu
recebê-los, os trabalhadores começaram a liberar as vias rumo ao
aeroporto, e o tráfego voltou ao normal. De manhã, durante a
manifestação, todos os sentidos do trânsito e as vias de acesso ao
terminal ficaram congestionados. Muitos passageiros tiveram de descer
dos automóveis e seguir a pé até o aeroporto para não perder os voos.
Os
funcionários das empresas de marketing multinível TelexFree, BBom e
Multiclique protestavam no local contra uma liminar expedida pela
Justiça do Acre, que congelou as atividades da TelexFree há cerca de
cinco semanas, por suspeita de exploração de um sistema comercial
conhecido como pirâmide financeira, prática proibida no Brasil.
O
modelo se mantém por meio do recrutamento progressivo de pessoas para
divulgação e vendas até chegar a níveis que tornam o retorno financeiro
insustentável. Aos trabalhadores, é oferecida uma espécie de franquia,
para a qual trabalham de forma autônoma, sem vínculo empregatício.
Estima-se que a TelexFree tenha arregimentado pelo menos 1 milhão de
pessoas no Brasil.
Com a liminar da Justiça do Acre, baseada em
uma ação do Ministério Público do estado, a TelexFree foi impedida de
efetuar pagamentos aos associados, que dependem de suporte e logística
da empresa para trabalhar.
Os trabalhadores contestaram a
liminar na Justiça para derrubá-la, o que permitiria o retorno às
atividades. Eles justificam o apelo ao Ministério Público Federal, em
Brasília, devido à morosidade da Justiça acriana, que deveria ter
julgado ontem (21) a possibilidade de fim da liminar, mas o julgamento
foi adiado para o dia 29. Os trabalhadores temem que o julgamento seja
adiado novamente e quiseram apelar à instância federal.
De acordo
com a decisão da Justiça do Acre, a TelexFree, que não pode fazer novos
cadastros de divulgadores, está impedida de pagar os apoiadores já
cadastrados. A decisão vale até o julgamento final do caso, sob pena de
multa diária de R$ 100 mil.
Os trabalhadores argumentam que a
decisão judicial foi baseada em indícios, não em provas, e que as
atividades da empresa já poderiam ter sido retomadas, pois, segundo
eles, a TelexFree depositou em juízo no Acre cerca de R$ 700 mil, como
forma de garantir qualquer tipo de reclamação de prejuízo por parte dos
associados. "A Justiça quer proteger quem não quer e quem não precisa da
sua proteção", disse o divulgador da empresa em Goiás, Ricardo Paiva.
“1,6 milhões sem trabalhar”
Não
há regulamentação no país sobre marketing multinível, o que faz quer a
prática seja permitida, argumentam os trabalhadores reunidos em
Brasília. "Essa manifestação é um protesto contra a decisão da Justiça
do Acre e um apelo à regulamentação da prática, para evitar que esse
tipo de situação ocorra. A lei sobre a qual a juíza se apoiou é de 62
anos atrás. São mais de 1,6 milhões de pessoas sem trabalhar. Já teve
até suicídio", disse o presidente da TelexFree, Marcos França.
Para
os trabalhadores, se a prática não é permitida, o Estado não deveria
ter feito o registro de Cadastro de Pessoa Jurídia (CNPJ) da empresa ou
ter recolhido impostos sobre suas atividades – que estimam ficar em
torno de R$ 200 milhões por semana.
No início do mês, os
franqueados das empresas haviam feito uma manifestação em Brasília,
quando o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de recurso dos
associados da TelexFree contra a liminar que suspendeu as atividades da
empresa, sob o entendimento de que o Supremo não tem competência para
atuar no caso.
Atuando no Brasil desde março de 2012, a Telexfree
vende planos de minutos de telefonia de voz sobre protocolo de internet
(VoIP), que permitem ligações ilimitadas para 41 países por US$ 49
mensais.
Fonte: correio24horas
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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