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11 de dezembro de 2013

Notícias:Menina desaparecida em temporal de Lajedinho ligou pedindo ajuda ao pai

Para hoje, está previsto o enterro dos corpos das outras cinco vítimas já localizadas.

Em Lajedinho, na Chapada Diamantina, não chovia há mais de um ano. Quando choveu, a água levou 16 vidas - 14 já tiveram os nomes divulgados. Até a noite de ontem, uma pessoa estava desaparecida.  
Esse foi o pior resultado do temporal que atingiu a cidade na noite de sábado. Mas, em duas horas, os 120 mm de chuva que desabaram sobre a cidade, que vive da pecuária e é cortada pelo Rio Saracura, causaram mais do que mortes. A água destruiu as possibilidades de as pessoas refazerem suas vidas com rapidez.   

Depois da enchente, um quarto da população do município – que tem cerca de 4 mil habitantes e é o quinto menor da Bahia – está fora de casa. Ao todo, 820 pessoas estão desabrigadas (em alojamentos do poder público) e 205 estão desalojadas (em casas de parentes ou amigos).
Quatro escolas públicas foram destruídas, assim como dois postos de saúde e oito sedes de órgãos prestadores de serviço, inclusive os Correios.

Ao longo do leito do rio, 202 casas foram destruídas e outras 41 estão danificadas. “A gente não tem um posto onde atender as pessoas, porque as duas unidades de saúde foram destruídas”, disse o chefe de gabinete da prefeitura, Marcos Maia. Cidades vizinhas cederam ambulâncias para ajudar no atendimento, segundo o prefeito de Lajedinho, Antônio Mário Lima (PSD).

Temporal deixou rastro de destruição e 16 mortos em Lajedinho (Foto: Haroldo Abrantes/Secom)

Ontem, ele decretou estado de calamidade pública e luto oficial de três dias. “Vai ser um Natal muito difícil. Fiz uma visita a um senhor de 95 anos, José Quintino, conhecido como José Brabo, que brincava aqui no rio quando chovia”, contou. O prefeito está no quinto mandato e disse nunca ter visto nada parecido.

Vale
 
De acordo com a meteorologista Cláudia Valéria, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fato de a cidade ser cortada por um rio e ficar em um vale, cercada por morros, contribuiu para o grau de devastação. 

“A água bate nas regiões mais altas e vai levando a terra para baixo”, explicou. Quando o solo não consegue mais absorver a água da chuva, começam os alagamentos. 

“Foi fatal, em questão de dez minutos, acabou tudo. A cidade parece um grande varal de coisas penduradas”, descreveu o professor Eliude Carvalho da Silva, que mora há 16 anos em Lajedinho. 
Natural de Ruy Barbosa, ele perdeu seis familiares na tragédia, incluindo tios e primos. Apenas uma cunhada e um sobrinho conseguiram se salvar e estão na casa de Eliude, na parte alta da cidade, onde oito pessoas receberam abrigo. 

Com a enxurrada, até os postes de iluminação pública foram arrastados. “Imagine a cidade, as pessoas no escuro, gritando por socorro, ligando para as famílias que moram no alto para pedir socorro. Uma garota de 11 anos ligou para o pai gritando ‘meu pai, venha me ajudar’. Ele chegou num nível que não dava mais para andar e a correnteza levou a garota”, relatou Eliude. 

Aqueles que sobreviveram escaparam pelos telhados das casas. Foi o caso do motorista Wellington Oliveira Alves, de 32 anos, que conseguiu se salvar junto com a esposa e a filha de 6 anos. A casa dele não foi destruída, mas Wellington não quer voltar para lá. 

“Aqui já teve chuva, mas nada foi igual a essa vez agora”, disse, lembrando de temporais que ocorreram em  2004 e 2012, mas sem o poder de destruição do de sábado.

Até o prefeito Antônio Lima teve que deixar sua casa. A água chegou ao teto e ele perdeu tudo. Além das secretarias de Saúde e Educação, a prefeitura também foi atingida e todos os documentos da administração foram perdidos.
Os oito veículos do município - incluindo duas ambulâncias -, que estavam na garagem da prefeitura, serão avaliados para saber se ainda podem ser utilizados. 

Ações Ontem, o prefeito despachou no Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade. Além do secretário estadual de Infraestrutura e vice-governador Otto Alencar, que havia chegado ao município no domingo, estiveram em Lajedinho o governador Jaques Wagner e o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira.

“É uma cidade pequena e, proporcionalmente, esse volume de destruição e perda de vidas é muito grande. A primeira preocupação é com a questão da saúde, por isso o Estado trouxe um especialista nessa área. Agora, estamos tratando com o prefeito para fazer o levantamento de tudo que foi perdido”, disse o governador. 

Para atender as vítimas, um centro de operações foi montado na Escola Ana Lúcia de Lima e voluntários da Cruz Vermelha ajudam no atendimento e distribuição de cestas básicas, água, remédios e cobertor. 

Uma enfermaria provisória foi instalada e 50 barracas do Exército foram montadas para abrigar as vítimas. Enquanto isso, bombeiros passaram o dia retirando os escombros dos imóveis destruídos e percorreram o leito do rio na tentativa de localizar a vítima que ainda está desaparecida.
Por volta das 10h, os moradores levaram outro susto, quando soou o alarme de rompimento de uma barragem. Mais tarde, descobriu-se que o alarme foi falso, mas a Defesa Civil estadual ainda avalia se o risco é real. 

“Lajedinho entrou em pânico mais uma vez. Famílias correram desesperadas para a parte alta, pessoas chegaram a passar mal”, contou o morador Marcos Antônio Arim. 

O medo dos moradores de Lajedinho se baseia também na previsão do tempo. De acordo com o Inmet, há possibilidade de chuva na região a partir de quinta-feira. E mesmo que a chuva caia em cidades vizinhas, pode causar ainda mais danos se o nível do rio voltar a subir demais.

Segundo o coordenador adjunto de Defesa Civil estadual, Paulo Sérgio Luz, cerca de 90% das casas próximas ao rio foram destruídas. “As que ficaram de pé não têm condições de abrigo por conta do risco iminente”. 

O plano da prefeitura e do governo estadual é reconstruir as casas na parte alta da cidade, onde ficam casas populares e o cemitério. “Já tínhamos 40 casas sendo construídas aqui pelo Minha Casa, Minha Vida. Em função do desastre, a gente vai trabalhar para trazer novos investimentos”, afirmou Jaques Wagner. 

Ontem, 11 corpos foram sepultados. Para hoje, está previsto o enterro dos corpos das outras cinco vítimas já localizadas.

Fonte:correio24horas

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"