Um ano e oito meses após enterrar um automóvel J3
numa cápsula do tempo para marcar o início das obras da fábrica em
Camaçari (BA), o grupo chinês JAC Motors discute a transferência do
projeto para o Rio de Janeiro.
A empresa chegou a cogitar uma unidade no Rio só
para caminhões, mas a negociação avançou para a transferência completa
da linha de produção, incluindo a de automóveis, informa o jornal O
Estado de S. Paulo em sua edição desta quinta-feira, 31.
Em 2012, montadora enterrou um modelo J3 numa cápsula do tempo para marcar o início das obras na Bahia (Foto: Manu Dias/Secom BA)
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Na
próxima semana, executivos da JAC estarão na China para obter o aval da
matriz à mudança. Se o novo projeto for aprovado, o anúncio deve
ocorrer em meados de agosto. Quatro fontes ouvidas pelo jornal O Estado
de S. Paulo confirmaram as negociações. O grupo SHC, do empresário
brasileiro Sérgio Habib, que detém 34% das ações da JAC no País, nega
que esteja avaliando a transferência.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio de
Janeiro não comenta o assunto. A fábrica na Bahia, um investimento de R$
1 bilhão, foi anunciada em novembro de 2011 e teve o lançamento da
pedra fundamental um ano depois. Desde então, a área passou apenas por
terraplenagem. A Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração da Bahia
diz que a empresa aguarda a liberação de um financiamento da Agência de
Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia) para iniciar a obra civil.
Da parte do grupo SHC, a informação é de que espera
aporte da matriz chinesa para escolher a construtora e iniciar a obra - e
este seria o motivo da ida de Habib à China. O início das operações da
fábrica, que teria capacidade para 100 mil carros ao ano e,
posteriormente, 10 mil caminhões de pequeno porte, já havia sido adiado
de 2014 para 2015. Os primeiros modelos a serem produzidos são as
versões hatch e sedã da próxima geração do J3. As versões atuais
disponíveis no País são importadas da China.
Incentivos
Fontes do mercado afirmam que, sem incentivos
federais para a operação, a exemplo do que conseguiram a Ford na Bahia e
a Fiat em Pernambuco, a fábrica da JAC não é viável em razão da
distância dos principais centros consumidores. Custos com transporte
encarecem o produto. No Rio, além da proximidade das regiões Sul e
Sudeste, o grupo terá incentivos estaduais e municipais similares aos
oferecidos na Bahia, doação de área no Porto do Açu e financiamento da
Agência Estadual de Fomento (AgeRio).
A JAC precisa iniciar as obras da fábrica com certa
urgência. Em breve vencerá o prazo exigido no programa Inovar-Auto, que
isenta a cobrança de 30 pontos extras de IPI de uma cota de carros
importados por marcas que terão fábricas locais. Se confirmar a
transferência da fábrica para o Rio, a JAC provavelmente terá de
reembolsar o governo da Bahia por incentivos fiscais já concedidos e
arcar com o prejuízo dos serviços feitos até agora, avaliados em quase
R$ 15 milhões.
No início do ano, o grupo já havia anunciado
importante mudança societária. Até então, Habib era sócio majoritário da
fábrica, com 66% das ações. Após a inversão, ele ficou com 34% e os
chineses com os 66%. Em 2010, quando iniciou a importação dos modelos
JAC, Habib abriu 50 revendas próprias, número que hoje está em 38 após o
fechamento de lojas em razão da queda das vendas após a taxação extra
de IPI.
Mudanças
Não será a primeira vez que uma montadora muda de
planos após anunciar o local de futuras fábricas. No ano passado, pouco
mais de um mês após anunciar a construção de uma fábrica de caminhões no
Rio, a Foton Aumark, empresa chinesa representada pelo ex-ministro das
Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, comunicou a transferência
do projeto, orçado em R$$ 250 milhões, para Guaíba (RS). No fim dos anos
90, foi a própria Bahia que atraiu a fábrica da Ford para Camaçari,
projeto inicialmente previsto para Guaíba (RS). Colaborou Tiago Décimo.
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