MASCOTE NOTICIAS E BELEZAS NATURAIS: Eleições:Marina Silva sai da disputa eleitoral bastante enfraquecida

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5 de outubro de 2014

Eleições:Marina Silva sai da disputa eleitoral bastante enfraquecida

Se em 2010 o terceiro lugar foi comemorado como uma vitória por Marina, ficar na mesma posição tem gosto de uma amarga derrota

Marina Silva foi alçada à condição de candidata do PSB à Presidência em consequência de uma tragédia, a morte de Eduardo Campo num acidente a aéreo, e entrou na campanha com ares de favorita. Mas, atacada por seus principais adversários, foi perdendo força e, após a abertura das urnas, termina a jornada enfraquecida politicamente. 

Se em 2010 o terceiro lugar na corrida presidencial foi comemorado como uma vitória por Marina, ficar na mesma posição este ano tem gosto de uma amarga derrota. As explicações para esse desfecho, porém, são muitas. Passa pela falta de estrutura partidária, os recuos programáticos e a demora para reagir aos ataques dos adversários. 

Marina Silva sai da disputa eleitoral bastante enfraquecida
(Foto: AFP)

Talvez o primeiro erro de Marina tenha acontecido quando ela ainda era vice de Campos. Defensora do que chama de nova política, rechaçou publicamente alianças que o PSB fez com nomes do PSDB e PT em importantes colégios eleitorais, como São Paulo e Rio. 

O preço por abrir mão de palanques estruturados foi sentido nas ruas. Em diversas ocasiões protagonizou atos políticos esvaziados nos dois Estados. Além disso, deu abertura para especulações de que lhe faltaria apoio político para governar. Marina também errou no que seria o seu grande trunfo nesta eleição: a divulgação do programa de governo. 

Um dia depois de apresentar à sociedade um documento de 242 páginas, sua equipe teve de correr para alterar um trecho que, de acordo com a justificativa, teria ido por engano para a gráfica. Se o capítulo não fosse justamente sobre a ampliação dos direitos dos homossexuais, tema delicado porque Marina é evangélica, a história poderia ter sido vista apenas como um descuido de seus assessores. Mas o episódio tomou outra dimensão. 

No imaginário popular (e nas redes sociais), a versão que prevaleceu foi a de que Marina recuou após pressões do pastor Silas Malafaia. Hoje, seu grupo de aliados admite que o custo político do recuo foi alto demais. Por defender uma nova maneira de fazer política, as contradições de Marina foram mais cobradas do que as dos políticos tradicionais. 

Ao subir no palanque de Paulo Bornhausen, candidato do PSB ao Senado de Santa Catarina, teve de ouvir do PT que abraçava apoiadores da ditadura - o pai de Paulo, Jorge Bornhausen, foi um dos principais nomes da Arena, partido que deu sustentação ao regime militar. 

Esse, porém, não foi o único ataque desferido pela campanha da presidente Dilma Rousseff. O arsenal foi amplo e versátil, passando por críticas sobre a sua proposta de independência do Banco Central até ilações sem fundamento de que Marina iria acabar com o Bolsa Família ou deixaria em segundo plano a exploração do pré-sal. Do lado tucano, os ataques também vieram. 

O principal argumento usado por Aécio Neves foi comparar Dilma com Marina, já que ambas foram ministras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “As duas são faces da mesma moeda”, martelavam as inserções na TV lembrando que Marina foi filiada ao PT por 24 anos.

Desgaste 
Diante de tamanha virulência, Marina não conseguiu disfarçar o abatimento. Nas últimas semanas, perdeu peso e a voz. Sentiu-se particularmente ofendida com as críticas proferidas por Lula, por quem sempre teve respeito e admiração. 

Queixou-se sobre o assunto com aliados mais próximos e, durante uma entrevista, chorou. O episódio foi usado para reforçar a imagem de que Marina era frágil, já que ela tem um histórico de doenças e restrições alimentares. Mesmo pressionada pela coordenação da campanha, Marina resistiu a revidar de maneira mais enfática aos ataques que sofria. 

Somente nessa última semana de campanha assumiu um tom mais eloquente, ao chamar Dilma de mentirosa e classificar o PT como “essa gente”. Até mesmo o título de “sonhática’’, que adora ostentar, parece ter sido um problema diante do pragmatismo que o cenário eleitoral exige. 

A falta de traquejo e a dificuldade de tomar decisões rápidas ficou evidente no dia a dia da campanha. As agendas eram sempre organizadas na véspera. Decisões simples costumavam ser discutidas à exaustão, em busca do tal consenso progressivo defendido pelo grupo. 

A simples tentativa de fazer uma carreata era vista como um dilema moral por Marina, já que ela se diz contra esse tipo de ato de político, por considerá-lo atrasado e pouco sustentável. Soma-se a tudo isso o fato de Marina ser um corpo estranho dentro do PSB. 

A convivência entre os dirigentes da sigla e os representantes da Rede Sustentabilidade nunca foi pacífica, por mais que estivessem, na teoria, dividindo um mesmo projeto de poder.

Queixa
Neste domingo, 5, após votar na sede do Incra, em Rio Branco, Marina reclamou de intimidações e constrangimentos feito por seus adversários. 

“A democracia serve para melhorar a própria democracia e não para criar uma situação de constrangimento e intimidação, como meus adversários fizeram’’, disse. De acordo com ele, Dilma Rousseff e Aécio Neves estavam “unidos’’ para atacá-la. “Não vale fazer qualquer coisa, a qualquer custo, a qualquer preço para ganhar uma eleição.’’

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REFLEXÃO

"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"