Marina Silva foi alçada à condição de candidata do
PSB à Presidência em consequência de uma tragédia, a morte de Eduardo
Campo num acidente a aéreo, e entrou na campanha com ares de favorita.
Mas, atacada por seus principais adversários, foi perdendo força e, após
a abertura das urnas, termina a jornada enfraquecida politicamente.
Se em 2010 o terceiro lugar na corrida presidencial
foi comemorado como uma vitória por Marina, ficar na mesma posição este
ano tem gosto de uma amarga derrota. As explicações para esse desfecho,
porém, são muitas. Passa pela falta de estrutura partidária, os recuos
programáticos e a demora para reagir aos ataques dos adversários.
Marina Silva sai da disputa eleitoral bastante enfraquecida
(Foto: AFP) |
Talvez
o primeiro erro de Marina tenha acontecido quando ela ainda era vice de
Campos. Defensora do que chama de nova política, rechaçou publicamente
alianças que o PSB fez com nomes do PSDB e PT em importantes colégios
eleitorais, como São Paulo e Rio.
O preço por abrir mão de palanques estruturados foi
sentido nas ruas. Em diversas ocasiões protagonizou atos políticos
esvaziados nos dois Estados. Além disso, deu abertura para especulações
de que lhe faltaria apoio político para governar. Marina também errou no
que seria o seu grande trunfo nesta eleição: a divulgação do programa
de governo.
Um dia depois de apresentar à sociedade um
documento de 242 páginas, sua equipe teve de correr para alterar um
trecho que, de acordo com a justificativa, teria ido por engano para a
gráfica. Se o capítulo não fosse justamente sobre a ampliação dos
direitos dos homossexuais, tema delicado porque Marina é evangélica, a
história poderia ter sido vista apenas como um descuido de seus
assessores. Mas o episódio tomou outra dimensão.
No imaginário popular (e nas redes sociais), a
versão que prevaleceu foi a de que Marina recuou após pressões do pastor
Silas Malafaia. Hoje, seu grupo de aliados admite que o custo político
do recuo foi alto demais. Por defender uma nova maneira de fazer
política, as contradições de Marina foram mais cobradas do que as dos
políticos tradicionais.
Ao subir no palanque de Paulo Bornhausen, candidato
do PSB ao Senado de Santa Catarina, teve de ouvir do PT que abraçava
apoiadores da ditadura - o pai de Paulo, Jorge Bornhausen, foi um dos
principais nomes da Arena, partido que deu sustentação ao regime
militar.
Esse, porém, não foi o único ataque desferido pela
campanha da presidente Dilma Rousseff. O arsenal foi amplo e versátil,
passando por críticas sobre a sua proposta de independência do Banco
Central até ilações sem fundamento de que Marina iria acabar com o Bolsa
Família ou deixaria em segundo plano a exploração do pré-sal. Do lado
tucano, os ataques também vieram.
O principal argumento usado por Aécio Neves foi
comparar Dilma com Marina, já que ambas foram ministras do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. “As duas são faces da mesma moeda”,
martelavam as inserções na TV lembrando que Marina foi filiada ao PT por
24 anos.
Desgaste
Diante de tamanha virulência, Marina não conseguiu
disfarçar o abatimento. Nas últimas semanas, perdeu peso e a voz.
Sentiu-se particularmente ofendida com as críticas proferidas por Lula,
por quem sempre teve respeito e admiração.
Queixou-se sobre o assunto com aliados mais próximos
e, durante uma entrevista, chorou. O episódio foi usado para reforçar a
imagem de que Marina era frágil, já que ela tem um histórico de doenças
e restrições alimentares. Mesmo pressionada pela coordenação da
campanha, Marina resistiu a revidar de maneira mais enfática aos ataques
que sofria.
Somente nessa última semana de campanha assumiu um
tom mais eloquente, ao chamar Dilma de mentirosa e classificar o PT como
“essa gente”. Até mesmo o título de “sonhática’’, que adora ostentar,
parece ter sido um problema diante do pragmatismo que o cenário
eleitoral exige.
A falta de traquejo e a dificuldade de tomar
decisões rápidas ficou evidente no dia a dia da campanha. As agendas
eram sempre organizadas na véspera. Decisões simples costumavam ser
discutidas à exaustão, em busca do tal consenso progressivo defendido
pelo grupo.
A simples tentativa de fazer uma carreata era vista
como um dilema moral por Marina, já que ela se diz contra esse tipo de
ato de político, por considerá-lo atrasado e pouco sustentável. Soma-se a
tudo isso o fato de Marina ser um corpo estranho dentro do PSB.
A convivência entre os dirigentes da sigla e os
representantes da Rede Sustentabilidade nunca foi pacífica, por mais que
estivessem, na teoria, dividindo um mesmo projeto de poder.
Queixa
Neste domingo, 5, após votar na sede do Incra, em
Rio Branco, Marina reclamou de intimidações e constrangimentos feito por
seus adversários.

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