Foto: Antonio Augusto/Agência Câmara
Waldir Maranhão (PP-MA) recuou e anulou a própria decisão
O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA),
revogou no fim da noite desta segunda-feira a decisão que havia tomado
pela manhã de anular a votação da Câmara no processo de impeachment
contra a presidente Dilma Rousseff.
A decisão foi tomada após seu partido, o PP, ameaçá-lo de expulsão.
Emissários de Maranhão procuraram oposicionistas e aliados do vice
Michel Temer no início da noite e indagaram se o recuo o livraria das
sanções que já se desenhavam para esta terça-feira. A sinalização
positiva sacramentou a decisão de Maranhão.
Depois do terremoto político ocorrido durante todo o dia em
Brasília, Maranhão enviou ao presidente do Senado, Renan Calheiros um
ofício em que comunica a revogação da anulação do impeachment na Câmara,
mas não dá nenhuma explicação sobre o recuo.
"Revogo a decisão por mim proferida em 9 de maio de 2016 por meio
da qual foram anuladas as sessões do plenário da Câmara dos Deputados
ocorridas dias 15, 16 e 17 de abril de 2016, nas quais se deliberou
sobre a Denúncia por Crime de Responsabilidade n.1/2015", diz o texto do
ofício assinado por Waldir Maranhão.
A decisão de Renan de ignorar a anulação e manter o cronograma de
votação para essa quarta-feira provocou a reação irada de governistas,
que usariam o pedido de anulação do presidente interino da Câmara para
entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal para tentar suspender o
impeachment . Com a revogação da anulação por Maranhão, a judicializacao
perde o objeto.
O senador Blairo Maggi (PR-PR) atribuiu o recuo de Maranhão ao pedido de expulsão do partido.
— É muito fraco. Vai cair logo — prevê o senador que está indo para
o PP para ser ministro da Agricultura no eventual governo de Michel
Temer.
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) se manifestou no Twitter:
"Vamos em frente. O melhor é esquecer que existiu este tal de Waldir
Maranhão. Deletar da memória Nacional."
Renan confirmou que será nesta quarta-feira a sessão para a votação
da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A
partir das 15h desta terça-feira, o Senado já abrirá as inscrições para
os senadores falarem na quarta-feira.
Foto: Antonio Augusto/Agência Câmara
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