sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
O Juiz Eleitoral de
Caetité Dr. Ronaldo Alves Neves Filho recebeu no ultimo dia 07 de janeiro
(ultimo dia ajuizar ações contra mandato eletivo), o que podemos de chamar de
uma “bomba”. Uma AIME - Ação de Impugnação do Mandato Eletivo, com mais de
1.500 páginas, 101 das quais são transcrição de gravações realizadas após as
eleições com candidatos que concorreram ao cargo, e que entregam, sem
perceber que estavam sendo gravados, como funcionou todo o esquema que fora
montado por Zé Barreira e sua equipe para lograr êxito nas eleições. Para
fortalecer ainda mais as provas e praticamente determinar a cassação de Zé
Barreira e vários vereadores, a mesma pessoa que gravou com os vereadores, ainda
ouviu as pessoas citadas pelos candidatos, comprovando que o esquema funcionou
de forma organizada e orquestrada, que os advogados classificaram de
“organização criminosa”.
Com esses documentos
protocolados na Justiça, a coligação Caetité Pode Mais, pede a cassação de José
Barreira de Alencar Filho, candidato reeleito ao Cargo de Prefeito de Caetité
nas últimas eleições pelo PSB, que integrou a Coligação Compromisso Para Fazer
Mais, incluindo ainda os vereadores eleitos: Arual Rachid Fernandes Santos,
(PSB), Jaquele Fraga Teixeira (Dra. Kelly), ( PSB), Zacarias Fernandes Nogueira
(PCdoB), Mário Rebouças (PCdoB), Cláudio Borges (PSB), Nilo Joaquim de Azevedo
(PSB) e Álvaro Montenegro Cerqueira de Oliveira (Nem de Dácio) (PR), todos
estes eleitos pela Coligação Compromisso Para Fazer Mais, bem como João da
Silva Chaves (João do Povo) e Marcílio Teixeira Alves (Dr. Marcílio), ambos
suplentes de vereador pelo PSB, da mesma coligação.
A documentação deixa
claro que os citados, não apenas compraram votos como também abusaram do
poder político e econômico, fazendo ameaças, prometendo e distribuindo todo
tipo de oferenda. Cabos eleitorais devidamente municiados de recursos
financeiros entregaram aos eleitores cestas básicas, dinheiro, combustíveis, materiais
para construção (especialmente telhas, cimento, além de postes e manilhas),
padrões de energia, cabos elétricos, caixas d´água, mangueiras, bolas de arame
farpado, serviços de motor em veículos, limpeza de terrenos, estradas e
principalmente uma forte patrulha mecânica para abertura de poços e aguadas,
com a mesma finalidade, usando quase sempre, recursos públicos para fazê-lo.
A documentação vai
mais longe e mostra ainda que os carros locados para o serviço do transporte
escolar municipal foram utilizados para levar os seus eleitores às reuniões
eleitorais e/ou comícios, misturando o público com o privado, não se sabendo o
que é na realidade da coligação, partido político ou candidato.
Vê-se nas fotos e
vídeos anexos ao processo que o Acionado distribuiu abertamente grande
quantidade de combustível aos seus eleitores, chegando a chamar a atenção o
intenso movimento no Posto Canibal II, onde os veículos e motos que estavam
sendo abastecidas estavam adesivados com propaganda eleitoral de Zé Barreira, com
seus proprietários ostentando bandeiras contendo a propaganda
político-partidária do candidato a reeleição.
Como se fosse pouco
todo o aparato montado para a captação de sufrágio, a Coligação Compromisso
Para Fazer Mais ainda utilizou da prática do transporte de eleitores no dia da
eleição, paralizando o uso dos veículos que estavam autorizados pela justiça,
numa forma de facilitar o tráfego apenas dos eleitores considerados aliados. A
prática abusiva, segundo revela uma das gravações que nossa reportagem teve
acesso, mostra que aconteceu desde o início do ano eleitoral, quando o
prefeito percebeu que perderia as eleições, “Ué, ospovo ganhava, eu botava no
carro e levava. Ué, eu tô ganhando o meu! Tinha dia que eu levava 12 caixa, 20
caixa, 40 saco de cimento, rapaz. Tudo ganhado aí. Bloco eu levava era de 4
mil, 3 mil teia, direto aí. E tome, e tome, e tome, e tome, e foi apertando,
apertando, e eles viu que o trem tava meio balançando e apertou (...?)! E tome,
e tome, a noite toda, e tome, e tome, e tome, e tome, e o coro comeu... [sic]”,
alega um dos envolvidos, encarregado de transportar o bens oferecidos aos
eleitores.
Para o advogado Dr.
Custódio Brito, que encabeça o rol de advogados que assinam a ação, “trata-se
de inúmeras condutas abusivas praticadas escancaradamente e que
envolveram uso da máquina e da distribuição de todo tipo de bens e valores sem
amparo legal, no curso de toda a campanha, que não deixa outra saída para o seu
julgamento, senão a cassação dos mandatos eletivos de todos os envolvidos”.
Fonte: Jornal Eco
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