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Economista atribui baixo crescimento do PIB à queda no investimento
A economia brasileira cresceu 0,9% em 2012, abaixo da estimativa de 1,5%
Agência BrasilA queda de 4% na taxa de
investimento contribuiu para o baixo resultado do Produto Interno Bruto
(PIB) no ano passado. De acordo com dados divulgados hoje (1º) pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia
brasileira cresceu 0,9% em 2012, abaixo da estimativa de 1,5%. A
avaliação é do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio
Vargas (Ibre/FGV).
De acordo com a pesquisadora da área de Economia
Aplicada do Ibre Silvia Matos, países como Chile, Peru, Colômbia e
México, que têm renda per capita próxima da brasileira,
cresceram mais e ficaram com a inflação mais baixa, por causa do
investimento mais alto. Sílvia destacou que esses países estão
crescendo 4%, 5%, 6%. "No Brasil, há dois anos, a taxa de investimento
era 19,5%, caiu para 19,3% e depois para 18,1%. Então, investimos só
18% do PIB, enquanto tais países investem 23%, 25% e 27%. Eles estão
conseguindo crescer, mesmo com esse mundo não muito favorável porque
tem tido muito investimento e muitas reformas estruturais estão sendo
implementadas”, disse a economista.
Segundo Sílvia, o México fechou o ano passado com
crescimento de 3,9%, inflação de 3,2% e taxa de investimento de 22% do
PIB. O Peru cresceu 6,5% e investiu 29% do PIB, com inflação de 2,7%. O
Chile teve 5,6% de crescimento, inflação de 1,8% e investimento de
27%. E a Colômbia cresceu 3,4%, com inflação de 2% e investimento de
27%. No Brasil, a inflação está na faixa de 5,8%.
Para a economista, apesar da recuperação da
economia ao longo do ano, o crescimento ainda é moderado e não deve ser
forte em 2013. Para este ano, espera-se resultado "um pouquinho
melhor", mas ainda existe preocupação, disse Sílvia. "É necessária uma
recuperação muito forte para que a economia cresça um pouco mais.
Crescer mais do que no ano passado está fácil, porque o país vem
melhorando trimestre a trimestre, mas ainda é um PIB moderado." Sílvia
acredita que é um crescimento de 2,5% é possível, mas ressalta que,
para ficar acima de 3%, seria preciso algo muito especial, e não se
espera nada disso.
De acordo com a economista, o governo tem se
esforçado para levantar o PIB, mas o resultado final tem ficado abaixo
do esperado. “O governo fez um monte de estímulos, caiu a taxa de
juros, um monte de desonerações, e o resultado foi aquém do que poderia
ter sido com tudo isso. A indústria, que foi o setor que mais recebeu
incentivos ao longo do ano passado, contraiu. Claro que poderia ser
muito pior se o governo não tivesse feito tudo isso, mas não está sendo
o suficiente.”
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