Funcionárias eram obrigadas a fazer um número mínimo de programas e tinham de adquirir roupas e até comida com os cafetões
Cinco jovens que seriam mantidas sob cárcere privado e obrigadas a se prostituir, segundo a polícia, foram encontradas, nesta terça-feira (19) à tarde, numa casa da Rua Dylio Penedo, no bairro Joquei de Itaparica, Vila Velha. Metade do que as garotas recebiam por cada programa seria repassado à dona da casa, identificada como Elizângela Meira Andrade, 33 anos.
Segundo a polícia, Elizângela publicava anúncios em jornais e em sites, divulgando as garotas. Cada programa variava de R$ 150 a R$ 500. E entre as prostitutas havia quem chegasse a faturar até R$ 10 mil por mês.
Foi uma garota que fugiu do esquema quem o denunciou à polícia. Ela diz que as meninas eram obrigadas a fazer uma quantidade pré-determinada de programas, sendo mantidas trancadas, sem poder sair da casa enquanto não conseguissem atingir a meta estabelecida.
As meninas eram obrigadas a comprar roupas, bijuterias, maquiagem, perfumes e comida com Elizângela. Com isso, contraíam dívidas que deveriam ser quitadas com os programas.
Caderno de conta
A polícia apreendeu na casa algemas de couro, brinquedos sexuais, lubrificantes, celulares, chipes, cartões de memória, agendas e um caderno no qual eram mantidas contas das meninas, com programas realizados – quem pagava e quem recebia. Tudo será analisado pelos investigadores.
Elizângela foi ouvida pelo delegado Leandro Piquet e autuada por rufianismo (Artigo 230 do Código Penal) – exploração da prostituição alheia com participação nos ganhos. A pena para esse crime é de um a quatro anos de prisão, podendo chegar a oito anos, caso se confirme o cárcere privado.
Assustadas com o que estava acontecendo, as garotas de programa não quiseram falar com A GAZETA, mas confirmaram ao delegado que eram vigiadas e ameaçadas por um homem que foi identificado apenas como Leandro.
Segundo elas, esse homem era o responsável por acompanhá-las até os locais dos programas, sempre andava armado e usava drogas. Era ele também quem tomava conta da casa.
O delegado informou que o homem só não foi detido, na tarde de ontem, porque havia saído para levar uma das garotas a um programa.
Faturamento
R$ 10 mil por mês
Era o valor máximo faturado pelas garotas
5 mulheres
Foi o número de garotas encontradas na casa pela polícia, que foi ao local por indicação de uma ex-moradora do local
Fonte: A Gazeta
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