O Departamento de Defesa dos Estados Unidos
estimou hoje que cerca de 20 mil soldados russos possam estar na
Crimeia, mas reconheceu que suas informações são imprecisas, enquanto o
secretário norte-americano de Defesa, Chuck Hagel, elogiava a
contenção das forças ucranianas. O presidente russo, Vladimir Putin,
nega que as forças sem insígnia nacional que estão cercando as tropas
ucranianas em suas bases estejam sob o comando de Moscou.
O Ocidente tem ridicularizado a sua negativa. O
porta-voz do Pentágono contra-almirante John Kirby, ao ser questionado
sobre o número de soldados russos na Crimeia, citou estimativas de até
cerca de 20 mil. Pressionado para que fosse mais específico sobre os 20
mil, Kirby disse: “Essa é uma boa estimativa no momento. Mas é apenas
uma estimativa. E como eu já disse, nós não temos uma perfeita
visibilidade quanto a esses números”, declarou Kirby em entrevista à
imprensa no Pentágono.
Guardas de fronteira da Ucrânia vêm indicando
números muito mais elevados. Segundo o assessor do comandante dos
guardas de fronteira da Ucrânia, Serhiy Astakhov, 30 mil soldados
russos estão agora na Crimeia, em comparação com os 11 mil antes da
crise, os quais estão permanentemente alocados na base da frota russa do
Mar Negro, no porto de Sebastopol.
Kirby disse ainda que em uma conversa por telefone
com o ministro da Defesa da Ucrânia, Ihor Teniukh, hoje, Hagel elogiou
as forças armadas ucranianas por não permitirem que a situação se
agrave. “[Hagel] salientou o firme compromisso dos Estados Unidos em
apoiar o povo ucraniano e a soberania e a integridade territorial da
Ucrânia”, disse Kirby.
Os Estados Unidos não demonstraram interesse em
recorrer a opções militares na disputa com a Rússia sobre a Crimeia,
mas tomaram outras medidas, como o corte de intercâmbio militar com a
Rússia, na segunda-feira. Os Estados Unidos também tomaram iniciativas
para tranquilizar os aliados da Otan, tendo enviado esta semana mais
seis caças F-15 com a missão de patrulhamento nos Estados Bálticos da
Estônia, Letônia e Lituânia.
A Polônia anunciou ontem que o Exército dos EUA
iria enviar 12 aviões de combate F-16 e uma equipe de 300 pessoas para a
Polônia na próxima semana para um exercício de treinamento. Kirby não
confirmou esses números e disse apenas que os militares dos EUA ainda
estão acertando detalhes.
Linguagem corporal
Hoje, o Pentágono afirmou que um grupo de trabalho do Pentágono estuda a linguagem corporal de dirigentes estrangeiros, entre eles o russo Vladimir Putin, para entender melhor seu comportamento.
Além de Putin, o grupo analisou o finado presidente
iraquiano Sadam Hussein, o também finado líder da Al-Qaeda Osama Bin, o
líder norte-coreano Kim Jong-Un e o primeiro-ministro russo, Dimitri
Medvedev, entre outros dirigentes, revelou um funcionário.
Mas os resultados “não são utilizados para elaborar
políticas ou tomar decisões”, afirmou o porta-voz do Pentágono,
contra-almirante John Kirby. A responsável pelo grupo, Brenda Connors,
publicou em 2004 um artigo em um jornal de Rhode Island em que
apresentava alguns aspectos do comportamento de Vladimir Putin, com
base em sua linguagem corporal.
Os movimentos do presidente russo mostram “um homem
que luta para avançar (...) e essa instabilidade é compensada por uma
necessidade urgente de controle interno, que se manifesta na exibição
de sua força”.
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