Após mais de
quatro horas de discussão, o plenário da Câmara dos Deputados rejeitaram
a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93 que reduz a maioridade
penal de 18 para 16 anos. Foram 303 votos favor, 184 contra e 3
abstenções. Para ser aprovado o texto da PEC precisava de, no mínimo, o
voto de 308 deputados.
A votação,
considerada histórica por sua repercussão, começou pouco depois da
meia-noite. A PEC reduz a maioridade penal para a prática de crimes
hediondos, como estupro, latrocínio; homicídio qualificado e lesão
corporal grave, lesão corporal grave seguida de morte e roubo agravado
(quando há sequestro ou participação de dois ou mais criminosos, entre
outras circunstâncias).
Como o texto
rejeitado era um subistutivo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), disse que o plenário deverá fazer nova votação para deliberar
sobre a proposta original que diminui a maioridade penal para todos os
crimes. “Iremos deliberar no colégio de líderes a deliberação”, disse.
Em uma sessão
marcada por um plenário dividido, mais de 20 deputados se revezaram na
tribuna para defender e argumentar contra o relatório do deputado Laerte
Bessa (PR-DF) aprovado no último dia 17, por 21 votos a 6 na comissão
especial destinada a analisar o tema.>>>>>>>>>>>>>>>>>>
O líder do
PMDB, Leonardo Picciani (RJ), disse que a maioria da bancada votaria a
favor “Nós somos favoráveis porque ele propõe a redução para os crimes
hediondos, graves e sobretudo os crimes contra a vida”.
Mesma posição
foi tomada pelo deputado Moroni Torgan (DEM-CE) que defendeu a redução
sob o argumento de que a medida vai acabar com a sensação de impunidade.
“Queremos acabar com a impunidade para esses adolescentes que cometem
crimes graves e que praticamente não são punidos como se deve",
defendeu.
Contrário à
redução, o líder do PROS, Domingos Neto (CE), argumentou que a sociedade
quer o fim da impunidade, mas que muitos parlamentares também se
colocam a favor para dar uma resposta a opinião pública. “A nossa
bancada é contra este modelo de redução que se estende a alguns setores
da sociedade pois é discriminatório. Temos que firmar o compromisso de
modernizar o Estatuto da Criança e do Adolescente [ECA]”, disse. “A
opinião pública condenou Jesus Cristo e absolveu Barrabás”, complementou
o vice-líder do governo, Sílvio Costa (PSC-PE).
O governo se
posicionou contra a redução e defendeu como alternativa a alteração no
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para aumentar o tempo de
internação para os adolescentes que cometerem crimes graves, além de
mudanças na legislação para endurecer as penas para quem aliciar
adolescentes para a prática de crimes. “Não podemos agir emocionalmente,
mas também não podemos deixar de dar uma resposta para a sociedade. E o
governo está propondo essa mudança”, afirmou Guimarães.
Após a
divulgação do resultado, os manifestantes contrários à redução
comemoraram e cantaram o Hino Nacional. desde a manhã eles
promoveramatos contra a PEC. Os protestos contra a aprovação da proposta
reuniram integrantes de organizações estudantis, centrais sindicais e
movimentos sociais contrários a redução da maioridade penal. Em frente
ao Congresso Nacional, o gramado foi ocupado por manifestantes com
faixas e cartazes em um ato contra a PEC.

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