As fraudes,
que custam mais de R$ 860 milhões aos cofres públicos, são mais
recorrentes em municípios abaixo de 500 mil habitantes, que, na maioria
das vezes, não possui uma Procuradoria Municipal estruturada.
Para o
presidente da ANPM, Guilherme Rodrigues, esse levantamento deixa claro
que incluir os procuradores municipais na Constituição e deixar expressa
a necessidade de realizar concurso para a carreira representará uma
economia ao erário, uma vez que noticias de fraudes como essas serão
evitadas.
"Nosso
discurso mais uma vez se fortalece. A argumentação de que a PEC 17
retirará os recursos destinados à saúde, à educação e à infraestrutura
não prevalece. Na verdade, os procuradores municipais concursados e
organizados em carreira é que podem garantir a aplicação do dinheiro
público de acordo com a lei, sem desvios, seja na atividade consultiva
de apoio aos prefeitos, seja na esfera judicial. Prefeitos comprometidos
com a legalidade e com a gestão moderna encontram nos procuradores
municipais o apoio necessário para atender aos anseios da população com
qualidade e eficiência," rebate Rodrigues.
Atualmente a
ANPM luta para incluir expressamente na Constituição a carreira de
Procurador Municipal, por meio da PEC 17/12. Todavia, uma emenda
apresentada pela senadora Ana Amélia (PP-RS), a pedido da Confederação
Nacional dos Municípios (CNM), visa limitar para que apenas municípios
acima de 100 mil habitantes sejam obrigados a realizar concurso. Esse
número representa hoje menos de 6% das cidades brasileiras.
O presidente
da ANPM reforça que a PEC 17 defende a moralidade, ao exigir a seleção
de procuradores por concurso público, o que permite a defesa do
patrimônio municipal e o controle da legalidade dos atos
administrativos.
“ A PEC 17
vai permitir que os municípios tenham procuradores concursados, sem os
vícios próprios dos apadrinhados e apaniguados, infelizmente ainda
vistos na realidade brasileira. Aliás, o concurso já e exigido pela
Constituição (art. 37, II) para todos os servidores. A PEC apenas
reforça a necessidade da carreira, para aqueles profissionais que têm a
missão institucional de defender a coisa pública”, argumenta.
De acordo
com a pesquisa da CGU, os casos mais comuns de irregularidades envolvem
alteração nos documentos licitatórios depois de assinados, uso de uma
mesma licitação para projetos diferentes e vínculo familiar com a
empresa contratada. Isso quando o gestor não "esquece" de divulgar os
editais. Fraudes comuns em prefeituras que não possuem assessoria
jurídica qualificada.
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