Gabas: havia necessidade de discussão mais profunda sobre fator previdenciário
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

O ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, afirmou nesta
quinta-feira (18), que o governo editou a Medida Provisória 676 devido à necessidade de uma discussão mais profunda a respeito da previdência e do fator previdenciário. O ministro disse que essa discussão precisa
levar em conta a progressividade, a transição demográfica e a
necessidade de adequar as regras previdenciárias a um fenômeno que
acontece no Brasil e em todo o mundo. O ministro disse que a população
brasileira está vivendo mais, ao mesmo tempo em que a taxa de
fecundidade das mulheres está diminuindo. "Para a sociedade, isso
significa que teremos menos pessoas trabalhando e contribuindo em
relação às pessoas idosas. É lógico que isso pressiona as contas da
Previdência Social", afirmou Gabas. O ministro destacou que o aumento da
expectativa de vida tem como consequência o fato de que os aposentados
vão receber o benefício por mais tempo. "Aqui está o desafio da
Previdência Social", disse. Entre 1998 e 2013, segundo cálculos
apresentados pelo governo, a expectativa de sobrevida dos brasileiros
com 50 anos de idade aumentou 4,6 anos. Em 1998, a expectativa de
sobrevida dos brasileiros era de 75,2 anos, e, em 2013, subiu para 79,8
anos. Segundo Gabas, a população de idosos é de 23,9 milhões atualmente.
Em 2030, serão 41,4 milhões. O ministro disse ainda que, atualmente, o
País tem 9,3 pessoas ativas para cada idoso, relação que, em 2030, cairá
para 5,1. "Isso também impacta a Previdência Social", disse. O ministro
da Fazenda, Joaquim Levy, disse que é preciso que a sociedade se
prepare para essa transição demográfica. "Não estamos falando de um
negócio lá longe. A relação entre trabalhadores e aposentados vai cair
pela metade, e isso não num horizonte longuíssimo. É um movimento que
não para", afirmou. "Temos de olhar o que aconteceu nos últimos anos e
olhar para frente." Gabas reiterou que é preciso preparar a Previdência
para essa nova realidade. "A sociedade ainda vê de maneira equivocada a
Previdência, como uma organização que tem recursos, e o segurado quer
buscar esses recursos, buscando uma maneira de se aposentar o mais
rápido possível, sem levar em conta que o bolo desses recursos, o fundo,
é de todos os trabalhadores e precisa ser cuidado", afirmou. "É como se
estivéssemos com um caminhão numa reta, mas mais à frente temos curva
acentuada. Ou planejamos a curva, ou a carreta capota. É preciso
entender que essa mudança demográfica alcança todos nós e é movimento
constante no Brasil", acrescentou Gabas. Segundo ele, foi com esse
objetivo que a presidente criou um fórum para debater o assunto com
centrais sindicais, entidades patronais e aposentados. "A partir dos
mesmos diagnósticos, vamos elaborar uma proposta sustentável de
Previdência Social que consiga perdurar e atravessar essa transição."
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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