Revista ligada à Al Qaeda publicou instruções sobre como fazer bomba com panela de pressão
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Navesh Chitrakar/Reuters
Panela de pressão usada como explosivo em atentado em Katmandu, no Nepal, em 2011
Nesta terça-feira (16), autoridades informaram que os explosivos usados nos ataques na Maratona de Boston --que deixaram três mortos e mais de 170 feridos-- foram, provavelmente, feitos com panelas de pressão e fragmentos de pregos e de metal.
Intitulado "Como fazer uma bomba na cozinha da sua mãe", o artigo orienta a colocar estilhaços dentro da panela de pressão e, na sequência, preencher o recipiente com material inflamável.
O artigo também aconselha os homens-bomba a usar luvas para evitar que impressões digitais sejam encontradas em fragmentos da bomba --e ainda sugere que os terroristas peçam a Alá o sucesso da operação.
Ainda segundo o "USA Today", essa edição de 2010 da Inspire trazia diversos artigos com instruções aos leitores sobre como fazer suas próprias armas terroristas.
ARTIGO "COMO FAZER UMA BOMBA NA COZINHA DA SUA MÃE"
Em uma entrevista coletiva de imprensa, autoridades norte-americanas informaram que as duas bombas foram colocadas dentro de sacos deixados em local próximo ao público que estava na linha de chegada da maratona.
Em 2004, preocupado com o uso de panelas de pressão por células terroristas, o Departamento de Segurança Interna dos EUA emitiu um boletim no qual afirmava que essa era uma técnica muito usada em campos de treinamento de terroristas no Afeganistão.
O mesmo boletim cita casos em que panelas de pressão foram usadas como explosivos em atentados na França, na Índia e no Nepal.
A capacidade de produzir a bomba, contudo, não é exclusividade de membros da Al Qaeda. De acordo com a imprensa norte-americana, o artigo da revista Inspire foi compartilhado por membros de ao menos um site ligado à supremacia branca como "leitura altamente recomendada".
FOTOS
Investigação
As autoridades ainda não têm pistas sobre a autoria dos atentados, os quais o presidente Barack Obama chamou de "ato de terror".Nenhuma organização reivindicou a responsabilidade pelos ataques, e O FBI não tem "informação definitiva" sobre os suspeitos.
A secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, disse que não há indicação de que as explosões sejam parte de uma ampla conspiração.
O FBI informou hoje que recebeu "um volume elevado de pistas nas últimas 18 horas". Entre os interrogados pelo órgão está um jovem estudante saudita, que se feriu nas explosões, mas que ainda não é considerado suspeito.
Coberto de sangue, ele respondeu algumas perguntas ainda no local e foi levado para um hospital. Desde então, tem sido acompanhado pela polícia. Ele era um dos moradores do apartamento revistado pela polícia onde foram recolhidas possíveis evidências sobre o atentado.
Outro rapaz, que divide apartamento com o saudita, o descreveu para o jornal "The Boston Globe" como um devoto muçulmano, fã de futebol, originário da cidade de Medina, e que tem 20 anos de idade. "Não acho que pudesse fazer isso", disse o companheiro, que não teve a identidade revelada.
"Nós vamos até o fim do mundo para encontrar os responsáveis por este crime hediondo", disse o agente especial encarregado do escritório do FBI em Boston, Richard Deslauriers, em entrevista coletiva.
Nesta terça, a Polícia e os bombeiros de Boston anunciaram uma recompensa de US$ 50 mil (cerca de R$ 100 mil) por qualquer informação que leve à captura dos responsáveis pelas explosões.
(Com agências internacionais)
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