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Ministério Público decide não recorrer no processo do mensalão
Desde a conclusão do julgamento Roberto Gurgel vinha indicando que não pretendia acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) novamente
Agência BrasilO procurador-geral da República,
Roberto Gurgel, informou hoje (26) que terminou de analisar as mais de
8,4 mil páginas do acórdão da Ação Penal 470, o processo do mensalão, e
que não vai recorrer. Desde a conclusão do julgamento, no fim do ano
passado, Gurgel vinha indicando que não pretendia acionar o Supremo
Tribunal Federal (STF) novamente, mas sinalizava que só daria a palavra
final ao analisar o acórdão completo, divulgado nesta semana.
“O Ministério Público discorda da absolvição de
alguns réus, mas entende que os embargos não se prestam à modificação
dos julgados”, disse Gurgel, durante cerimônia promovida nesta tarde
por entidade de classe dos procuradores.
O procurador ainda comentou o clima de tensão
instalado nesta semana entre o Judiciário e o Legislativo. Para ele, as
diferenças serão superadas devido à maturidade das instituições do
Estado brasileiro. “Eventuais rusgas que acontecem serão, sem dúvida,
superadas pelo entendimento que há de prevalecer em nome da harmonia
entre os Poderes que a Constituição consagra.”
Para Gurgel, não houve interferência indevida do
STF na decisão que suspendeu a tramitação do projeto que inibe a
criação de novos partidos. “Eu acho que o ministro Gilmar Mendes agiu
no âmbito da competência constitucional do STF e que não há o que
censurar na atuação do ministro Gilmar.”
Gurgel disse ainda que as propostas legislativas que
limitam a atuação do Supremo e do Ministério Público apresentam “certa
linha de coerência”, pois as duas atacam instituições do sistema de
Justiça. Para ele, caso a proposta contra o Ministério Público seja
aprovada, “a corrupção e a impunidade terão muito motivo para
comemorar, farão grande festa.”
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