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Guerra de poderes: Legislativo e Judiciário trocam acusações de interferência
Após a aprovação da PEC que tolhe poderes do STF na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o clima em Brasília é de confronto
Das agênciasredacao@correio24horas.com.br
No
dia seguinte à aprovação na Comissão de Constituição e Justiça da
Câmara de proposta de emenda constitucional (PEC) que tolhe poderes do
STF e de uma liminar do Supremo suspendendo a tramitação de projeto de
lei sobre verbas para partidos políticos, o clima em Brasília ontem foi
de confronto entre Legislativo e Judiciário.
Parlamentares
e ministros do Supremo trocaram a mesma acusação: interferência
indevida de um poder no outro. Mais exaltados entre os ministros do STF
no ataque à PEC 33, Gilmar Mendes tornou-se o alvo da irritação dos
congressistas ao suspender a tramitação do projeto de lei que cria
dificuldades para a criação de novos partido em liminar em que critica a
aprovação em “extrema velocidade de tramitação” da medida pela Câmara
dos Deputados.
Bombeiros - como o
vice-presidente do Supremo, ministro Ricardo Lewandovski, e alguns
deputados e senadores - entraram em ação para baixar o tom de guerra na
Praça dos Três Poderes.
Ministro ataca deputados: 'Rasgaram a Constituição'
Ministro ataca deputados: 'Rasgaram a Constituição'
O
ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes fez subir o
tom do confronto entre os poderes ao criticar a PEC (Proposta de Emenda
Constitucional) que submete decisões da Corte ao Congresso. “[A
proposta] é inconstitucional do começo ao fim, de Deus ao último
constituinte que assinou a Constituição. É evidente que é isso. Eles
rasgaram a Constituição. Se um dia essa emenda vier a ser aprovada é
melhor que se feche o Supremo Tribunal Federal”, disse.
A proposta foi aprovada pelos deputados da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara na quarta. Para Mendes, a aprovação foi constrangedora. “O que ficou entendido nesse episódio é o fato de uma matéria dessa gravidade ter sido aprovada por aclamação, por votação simbólica, sem uma manifestação em sentido contrário”. A PEC estabelece que o Congresso Nacional terá que aprovar as chamadas súmulas vinculantes do STF e a inconstitucionalidade de emendas à Constituição.
A proposta foi aprovada pelos deputados da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara na quarta. Para Mendes, a aprovação foi constrangedora. “O que ficou entendido nesse episódio é o fato de uma matéria dessa gravidade ter sido aprovada por aclamação, por votação simbólica, sem uma manifestação em sentido contrário”. A PEC estabelece que o Congresso Nacional terá que aprovar as chamadas súmulas vinculantes do STF e a inconstitucionalidade de emendas à Constituição.
O
ministro Marco Aurélio Mello, também do STF, também voltou a criticar a
aprovação da PEC e considerou “sintomático” o fato de dois deputados
condenados no mensalão terem votado a favor da PEC 33 que submete
decisões da Corte ao Congresso Nacional.
“Parece
que a matéria se mostrou bastante tranquila, porque não houve discussão
a respeito, ninguém levantou o dedo para suscitar uma dúvida quanto ao
objeto da proposta e é sintomático que, na Comissão, tenhamos dois réus
da Ação Penal nº 470”, afirmou Marco Aurélio, referindo-se aos deputados
João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP).
Os
ministros do STF tiveram o apoio do procurador-geral da República,
Roberto Gurgel, e de parlamentares da oposição. O líder do PSDB na
Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), entrou com pedido de mandado de
segurança contra a tramitação da PEC 33. Permitir que o Congresso
Nacional ou a população decidam pelo voto se uma cláusula pétrea pode ou
não ser violada por emenda à Constituição é acabar com a existência das
cláusulas pétreas”, argumenta o deputado tucano no seu pedido. O
senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato à Presidência,
divulgou nota criticando o PT pelo apoio à PEC e pela defesa da mudança
nas regras de criação de partidos.
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