Chegamos aos cem primeiros dias de
administração e a impressão que tenho é que muitas cidades seguem,
lamentavelmente, sem governo. Se pararmos para analisar o que os novos e
reeleitos prefeitos conseguiram fazer nesse período, tido como
termômetro da esperança do povo, a resposta é quase sempre a mesma:
nada.
Enquanto a maioria reclama da “herança
maldita” encontrada nos cofres dos centros administrativos e apontam
rombos e dívidas como causas da inércia, nós cidadãos comuns continuamos
pagamos nossos impostos e vamos, diariamente, aprendendo a conviver com
as mazelas. Embora os cem primeiros dias não tenham servido para
realizar muita coisa por quem tem a obrigação de fazer, do lado de cá as
coisas caminham: os buracos nas ruas crescem, as filas em busca de
atendimento se estendem, a fome e a miséria humilham a autoestima do
povo carente.
Com apenas, de fato, cem dias de
gestão, não posso apontar o dedo para A ou B a fim de culpá-los pelo
desgoverno à qual estamos todos fadados. O que atravanca é a
politicalha, já comentada num outro momento. São as “obrigações” dos
partidos, são os inúmeros cargos comissionados criados para serem
entregues a incompetentes, é o ranço primitivo de alguns brasileiros que
estão acostumados a terem emprego e não trabalho. Muda o lado, muda o
time, mas algumas práticas e vícios, infelizmente, permanecem.
Hoje pela manhã tive o desprazer de
acompanhar o bate-papo de dois Deputados Federais no twitter, rede
social bastante usada por políticos e jornalistas. Enquanto um
questionou as mudanças na capital baiana nos cem primeiros dias de
governo do atual prefeito ACM Neto, o outro respondeu que o partido
oposto teria ficado no poder por anos sem realizar nada. Seguiram
trocando ironias e risadas, apelidando-se de Netista e Wagnerista. No
fundo, caro cidadão brasileiro, é tudo uma grande piada!
* Manuela Berbert é publicitária, jornalista e colunista do Diário Bahia.
REFLEXÃO
"Por mais que tenha ideologia, em algum momento o historiador deve adotar um grau de imparcialidade, relatando os fatos como aconteceram, sem colocar as suas convicções acima de tudo"
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