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Marcelo Odebrecht: viaje mais, presidente
09.04.2013 |
Marcelo Odebrecht*
Minha tendência natural perante assuntos que
despertam polêmicas, como as reportagens e os artigos publicados nas
últimas semanas sobre viagens do ex-presidente Lula, é esperar a poeira
baixar.
Dessa vez, resolvi agir de modo diferente, porque entendo que está em jogo o interesse do Brasil e o legado que queremos deixar para as futuras gerações.
As matérias, em sua maioria em tom de denúncia, procuraram associar as viagens a propósitos escusos de empresas brasileiras que as patrocinaram, dentre elas a Odebrecht.
A Odebrecht foi, sim, uma das patrocinadoras da ida do ex-presidente Lula a alguns dos países citados. E o fizemos de modo transparente, por interesse legítimo e por reconhecer nele uma liderança incontestável, capaz de influenciar a favor do Brasil e, consequentemente, das empresas brasileiras onde quer que estejam.
Dessa vez, resolvi agir de modo diferente, porque entendo que está em jogo o interesse do Brasil e o legado que queremos deixar para as futuras gerações.
As matérias, em sua maioria em tom de denúncia, procuraram associar as viagens a propósitos escusos de empresas brasileiras que as patrocinaram, dentre elas a Odebrecht.
A Odebrecht foi, sim, uma das patrocinadoras da ida do ex-presidente Lula a alguns dos países citados. E o fizemos de modo transparente, por interesse legítimo e por reconhecer nele uma liderança incontestável, capaz de influenciar a favor do Brasil e, consequentemente, das empresas brasileiras onde quer que estejam.
O ex-presidente Lula tem feito o que presidentes e
ex-presidentes dos grandes países do Hemisfério Norte fazem, com
naturalidade, quando apoiam suas empresas nacionais na busca de maior
participação no comércio internacional. Ou não seria papel de nossos
governantes vender minérios, bens e serviços que gerem riquezas para o
país?
Nos últimos meses, o Brasil recebeu visitas de reis,
presidentes e ministros, e todos trouxeram em suas comitivas
empresários aos quais deram apoio na busca de negócios.
Ocorre que lá fora essas ações são tidas como
corretas e até necessárias. Trazem ganhos econômicos legítimos para as
empresas e seus países de origem e servem para a implementação da
geopolítica de governos que têm visão de futuro, como o da China, por
exemplo, que através de suas empresas procuram, cada vez mais, ocupar
espaços estratégicos além fronteiras.
Infelizmente, aqui o questionamento existe, talvez por desinformação. Permitam-me citar alguns números.
Infelizmente, aqui o questionamento existe, talvez por desinformação. Permitam-me citar alguns números.
A receita da Odebrecht com exportação e operações em
outros países, no ano de 2012, foi de 9,5 bilhões de dólares e nossa
carteira de contratos de Engenharia e Construção no exterior, hoje, soma
22 bilhões de dólares.
Para atender a esses compromissos, mobilizamos 2.891 empresas brasileiras fornecedoras de bens e serviços. No conjunto, elas exportaram cerca de 60 mil itens. Dessas, 1.955 são pequenas empresas e, no total, geraram 286 mil empregos em nosso país. É uma enorme cadeia de empresas e pessoas que se beneficiam de nossa atuação em outros países e, obviamente, se beneficiam também do apoio governamental a essa atuação. Esse apoio se dá, dentre outras formas, com os financiamentos do BNDES para exportação que, no caso da Odebrecht, é bom que se frise, representam 18 % da receita fora do Brasil.
Para atender a esses compromissos, mobilizamos 2.891 empresas brasileiras fornecedoras de bens e serviços. No conjunto, elas exportaram cerca de 60 mil itens. Dessas, 1.955 são pequenas empresas e, no total, geraram 286 mil empregos em nosso país. É uma enorme cadeia de empresas e pessoas que se beneficiam de nossa atuação em outros países e, obviamente, se beneficiam também do apoio governamental a essa atuação. Esse apoio se dá, dentre outras formas, com os financiamentos do BNDES para exportação que, no caso da Odebrecht, é bom que se frise, representam 18 % da receita fora do Brasil.
Estamos em 22 países, na maioria deles há mais de
20 anos, e exportamos para outros 70. Como ex-presidente, Lula visitou
7, e esperamos que ele e outros governantes visitem muitos mais.
Estes números falam por si, mas decidi me manifestar
também porque não quero que disso fiquem sentimentos de covardia ou
culpa para as pessoas que trabalham em nossa organização.
Quero minhas filhas e os familiares de nossos
integrantes de cabeça erguida, orgulhosos do que nós e outras empresas
brasileiras temos feito mundo afora, construindo a Marca Brasil para
além do samba e do futebol, ao mesmo tempo em que contribuímos para a
prosperidade econômica e justiça social nos países e comunidades onde
atuamos.
A inserção internacional nos tornou um país
socialmente mais evoluído e comercialmente mais competitivo, porque
gerou divisas, criou empregos, permitiu trazer novas tecnologias,
estimulou a inovação.
O tratamento que está sendo dado por muitos às
viagens do ex-presidente Lula é míope e reforça entre nós uma cultura de
desconfiança. Caminhar na construção de uma sociedade de confiança,
fundada no respeito entre empresas, entre estas e o poder público e
entre o poder público e a sociedade será muito bom para todos nós.
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